Política

Derrite entrega quarta versão do PL Antifacção; Motta adia votação para sessão com pauta única na terça-feira (18)

Texto cria o termo “organização criminosa ultraviolenta”, amplia penas e redefine o destino de bens apreendidos

Avatar de Rafael Porfírio
Rafael Porfírio
12/11/2025, 23:08 • Atualizado em 13/11/2025, 02:48
compartilhar

O relator do projeto de lei conhecido como Antifacção, deputado Guilherme Derrite (PP-SP), apresentou na noite desta quarta-feira (12) a quarta versão do texto. A proposta tem o objetivo de criar um novo Marco Legal para o Combate ao Crime Organizado, mas continua gerando controvérsias entre diferentes setores do governo e do Congresso Nacional.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

Mesmo com o texto já pronto, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), decidiu adiar a votação. Depois da sessão plenária desta quarta-feira (12), Motta anunciou o cancelamento da reunião de líderes marcada para esta quinta-feira (13) e convocou uma nova sessão na próxima terça-feira (18), com pauta exclusiva para o projeto.

A nova versão surge após semana de pressão de parlamentares, de governadores, do Palácio do Planalto e de especialistas em segurança pública, que apontam sobreposição de leis, riscos jurídicos e problemas de execução nos textos anteriores.

Disputa sobre o destino dos bens apreendidos

Uma das principais mudanças feitas no quarto texto por Derrite diz respeito ao destino dos bens e valores apreendidos em operações contra facções criminosas.

Pelo novo texto, quando o crime estiver sendo investigado pela Polícia Federal, os recursos apreendidos deverão ser destinados ao Fundo para Aparelhamento e Operacionalização das Atividades-Fim da Polícia Federal (Funapol), um fundo usado para reforçar a estrutura e a atuação da PF.

Derrite incluiu em seu novo relatório o detalhamento de que os bens seriam enviados ao Funapol “quando o delito estiver sendo investigado pela Polícia Federal”.

III – em caso de atuação conjunta entre a Polícia Federal e as forças de segurança pública estaduais ou distritais, os valores serão rateados em partes iguais entre o FUNAPOL e os Fundos de Segurança Pública dos respectivos Estados ou do Distrito Federal;

O relator acatou o pedido do Ministério da Justiça sobre a redução de recursos destinados à Polícia Federal. A pasta avaliou que o penúltimo parecer limitava a verba da PF ao repassar os valores provenientes da apreensão de bens de integrantes de organizações criminosas para os fundos estaduais ou distritais de Segurança Pública.

Nova classificação para o crime de facção

Outro ponto de destaque é a criação do termo “organização criminosa ultraviolenta”, usado para caracterizar grupos que dominam territórios, exploram atividades ilegais e impõem o poder pela força ou intimidação.

Essa mudança foi uma tentativa de Derrite de atender parte das críticas do Ministério da Justiça, que argumentava que o projeto criava uma “nova lei” para um tema já tratado pela Lei de Organizações Criminosas (Lei 12.850/2013).

Com o novo termo, o relator busca diferenciar as facções mais violentas, como as que atuam dentro e fora dos presídios, das demais organizações criminosas, sem extinguir a legislação atual.

Penas mais severas e novas regras de punição

O projeto também endurece as penas e amplia o alcance das punições contra integrantes de facções. O crime de “organização criminosa ultraviolenta” passa a ter pena de 20 a 40 anos de prisão, podendo ultrapassar 65 anos para líderes e chefes de facção.

Para comparação, a pena atual para o crime de “organização criminosa” é de 3 a 8 anos.

A proposta também determina que esses crimes não poderão receber anistia, fiança, indulto ou livramento condicional, e prevê prisão obrigatória em regime máximo de segurança para chefes de facções, ou seja, em presídios federais de segurança máxima.

Controle, transparência e cooperação internacional

O texto cria ainda um cadastro público nacional com informações sobre condenações, bens apreendidos e perdas de patrimônio relacionados ao crime organizado. Esse sistema seria supervisionado em conjunto pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).

XI – a publicação resumida das sentenças condenatórias e das decisões de perdimento em cadastro público eletrônico nacional, de acesso livre, para fins de prevenção e controle social, mantido pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Outra novidade é a possibilidade de intervenção judicial em empresas ligadas ao crime, permitindo o afastamento de sócios suspeitos, mas mantendo os empregos e contratos legítimos.

O projeto também estimula a cooperação internacional, autorizando o Brasil a firmar acordos de investigação, extradição e rastreamento de recursos com outros países.

Forças-tarefa e novas formas de punição

A proposta prevê a criação de forças-tarefa integradas, formadas por órgãos de segurança, inteligência e investigação, com atuação sigilosa e coordenada. Além disso, atos preparatórios de crimes de facções, como o planejamento ou o apoio logístico, passam a ser criminalizados.

Outro ponto polêmico é a vedação ao auxílio-reclusão para dependentes de presos condenados por crimes classificados como “organização criminosa ultraviolenta”.

§6º Aos dependentes do segurado que estiver preso cautelarmente ou cumprindo pena privativa de liberdade em regime fechado ou semiaberto, em razão do cometimento dos crimes previstos neste artigo, fica vedada a concessão do benefício de auxílio-reclusão, previsto no art. 80 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991.

Leia mais

Ver tudo
Imagem da notícia: Cidade do México investiga 4 mortes em festa da Copa

Cidade do México investiga 4 mortes em festa da Copa

Imagem da notícia: Sóstenes diz que PF fez ‘cortina de fumaça’ para Wagner

Sóstenes diz que PF fez ‘cortina de fumaça’ para Wagner

Imagem da notícia: Tornado com ventos de até 200 km/h atinge Paraná

Tornado com ventos de até 200 km/h atinge Paraná

Imagem da notícia: Casal é preso após escalar topo do Empire State em NY

Casal é preso após escalar topo do Empire State em NY

Imagem da notícia: Cidade do México investiga 4 mortes em festa da Copa

Cidade do México investiga 4 mortes em festa da Copa

Imagem da notícia: Sóstenes diz que PF fez ‘cortina de fumaça’ para Wagner

Sóstenes diz que PF fez ‘cortina de fumaça’ para Wagner

Imagem da notícia: Tornado com ventos de até 200 km/h atinge Paraná

Tornado com ventos de até 200 km/h atinge Paraná

Imagem da notícia: Casal é preso após escalar topo do Empire State em NY

Casal é preso após escalar topo do Empire State em NY

Últimas notícias

Rodoviários suspendem greve de ônibus no RJ até segunda

Categoria mantém estado de greve e dará nova chance às negociações mediadas pelo TRT antes de decidir por uma nova paralisação

Miss é encontrada morta após duplo terremoto na Venezuela

Skarlent Rodríguez estava em um prédio que desabou em La Guaira; namorado também morreu

Estados Unidos vence Bósnia por 2 a 0: siga em tempo real

Donos da casa enfrentam bósnios pela 16 avos da Copa do Mundo de 2026

Cacique Raoni volta à UTI após hemorragia digestiva

Líder indígena de 94 anos está estável após procedimento; hospital aponta sangramento controlado e quadro sob monitoramento

Governo critica sanção dos EUA a brasileiros por elo com PCC

Em nota, Ministério da Justiça alerta para riscos de medidas unilaterais e impactos sobre bancos após ação contra suspeitos de ligação com facção

PGR defende manter prisão domiciliar de Bolsonaro

Paulo Gonet diz que apreensão de pistola não justifica alteração no regime de cumprimento da pena, mas pede que a arma permaneça apreendida