Rodoviários suspendem greve de ônibus no RJ até segunda
Categoria mantém estado de greve e dará nova chance às negociações mediadas pelo TRT antes de decidir por uma nova paralisação


O Sindicato dos Rodoviários do Rio de Janeiro (Sintrucad-Rio) decidiu, em assembleia realizada nesta terça-feira (30), suspender a greve dos ônibus até a próxima segunda-feira (6). A decisão foi tomada após um pedido do Ministério Público do Rio (MPRJ) para que as negociações com as empresas de transporte fossem retomadas.
Segundo o sindicato dos rodoviários, cerca de 1.500 trabalhadores participaram da assembleia e aprovaram a suspensão temporária do movimento, enquanto uma nova rodada de negociações será realizada com o Rio Ônibus, sindicato das empresas de ônibus, sob mediação do Tribunal Regional do Trabalho (TRT).
Apesar da suspensão da paralisação, os rodoviários continuam em estado de greve e afirmam que podem voltar a cruzar os braços caso não haja avanço nas negociações.
O presidente do Sintrucad-Rio, Sebastião José, afirmou que a assembleia foi marcada por forte insatisfação da categoria com as atuais condições de trabalho.
"Foi uma assembleia muito tensa e difícil, já que os rodoviários estão revoltados com a atual condição de trabalho da categoria. Infelizmente falta sensibilidade aos empresários, e quem paga essa conta são os usuários, que em sua grande maioria entenderam e apoiam os motivos dessa reação dos motoristas", declarou.
Rio Ônibus diz que negociações continuam
Em nota, o Rio Ônibus informou que as negociações permanecem abertas e lamentou os transtornos provocados pela paralisação.
A entidade que representa as empresas de transporte afirmou que seguirá participando das reuniões de mediação para buscar um acordo e evitar uma nova greve na capital fluminense.
Greve
Os motoristas de ônibus municipais e BRT do Rio de Janeiro entraram em greve à 0h da última segunda-feira (29). A paralisação, decidida por tempo indeterminado, foi anunciada após a categoria rejeitar a proposta do Rio Ônibus sobre as reivindicações feitas pelo grupo.
O sindicato cobra reajuste salarial, aumento do vale alimentação e plano de saúde. Também exige mudanças nas condições de trabalho, como o fim da jornada 6x1 – composta por seis dias de trabalho e um de descanso – e a implementação da escala 5x2 – cinco dias de trabalho e dois de descanso.
Veja a lista completa de reivindicações:
- Veja a lista completa de reivindicações:
- Piso salarial de R$ 4 mil para motoristas;
- Salário de R$ 5 mil para condutores de ônibus articulados;
- Reajuste de 17% para todos os trabalhadores;
- Vale-alimentação de R$ 1 mil;
- Plano de saúde e odontológico;
- Fim dos contratos temporários na Mobi-Rio, com contratação pelo regime CLT.
O TRT reconheceu a paralisação, mas determinou a circulação mínima de 50% da frota dos ônibus municipais, por linha e itinerário, com multa diária de R$ 50 mil em caso de descumprimento. Segundo Sebastião, a medida vem sendo cumprida.
Filas e vandalismo
Os primeiros dois dias de greve dos rodoviários foram marcados por filas e vandalismo no Rio. Passageiros relataram espera de até 2 horas para embarcar, com longas filas em pontos e terminais de ônibus.
O Rio Ônibus informou ainda que mais de 40 veículos foram vandalizados por grevistas. O presidente do sindicato disse estar ciente do ocorrido, mas afirmou que a categoria não foi responsável. “Tivemos alguns incidentes, mas já recomendamos para não acontecer novamente. E pelo o que chegou aos nossos ouvidos não foram os rodoviários que fizeram isso”, disse.














