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Sóstenes diz que PF fez ‘cortina de fumaça’ para Wagner

Deputado trouxe documentos que dizem comprovar a legalidade dos R$ 460 mil em dinheiro vivo encontrados em sua casa, em dezembro do ano passado

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O deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) | Divulgação/Kayo Magalhães/Câmara

O deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) | Divulgação/Kayo Magalhães/Câmara

O líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), disse nesta quarta-feira (1º) que a Operação Galho Fraco II, que encontrou R$ 160 mil em espécie escondidos em livros falsos de direito na residência de dois advogados com quem tem relação, foi uma “cortina de fumaça” armada pela Polícia Federal para desviar a atenção pública do senador petista Jaques Wagner (BA), alvo de buscas no âmbito da investigação sobre o caso Master na última semana.

“Como houve uma operação contra o líder do PT, eu acho que, infelizmente, querem fazer uma cortina de fumaça, porque não há novidade nenhuma nessa operação de hoje, detalhe nenhum", afirmou Sóstenes em declaração à imprensa no Salão Verde da Câmara.

A Galho Fraco II aprofundou as investigações sobre supostos desvios envolvendo recursos da cota parlamentar. A atual fase mirou os advogados para esclarecer a origem dos mais de R$ 460 mil encontrados em um apartamento funcional vinculado a Sóstenes em uma etapa realizada em dezembro do ano passado. Também apura se houve irregularidades na contratação de empresas de locação de veículos na força-tarefa Rent a Car.

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Segundo a PF, há indícios de um esquema envolvendo agentes públicos, particulares e empresas para dar aparência de legalidade ao uso de dinheiro público, além de possíveis tentativas de ocultação de provas.

Sóstenes trouxe documentos que disse comprovarem a legalidade do dinheiro encontrado em um saco com notas de R$ 100 em seu guarda-roupa. Segundo o deputado, ele teria comprado um imóvel em 2023 por R$ 310 mil para seu pai em Ituiutaba, no Triângulo Mineiro e, depois que o pai se mudou para Uberlândia, vendeu o apartamento a um produtor rural em novembro, um mês antes da operação da Polícia Federal encontrar o dinheiro em sua casa.

“Todos vocês sabem que, em cidade do interior, quem é pecuarista trabalha com dinheiro em espécie. E ele me fez uma oferta abaixo do valor do imóvel, de R$ 500 mil, e me pagou em espécie, dinheiro lícito, declarado no meu Imposto de Renda", justificou.

Sóstenes também afirmou que os dois alvos da operação não são seus advogados constituídos. “Foi quem comprou o meu imóvel. Ele também é advogado, mas foi quem comprou o meu imóvel. Ele é advogado e pecuarista da cidade. Então, nenhum advogado meu sofreu busca e apreensão, como eu acho que vocês receberam informação da Polícia Federal. Foi uma informação errônea", justificou.

Em relação ao veículo, afirmou que aluga um modelo a preço abaixo do mercado e que há pelo menos duas evidências de uso frequente que afastariam a tese de lavagem de dinheiro: um episódio de assalto registrado em boletim de ocorrência e um acidente sofrido em Centralina (MG).

“Dizem que dois assessores meus e eu lavávamos o dinheiro de um contrato de um carro Corolla, que aqui está. O contrato do Corolla, que eu pago alugado, é o mais barato de todos os 513 deputados: R$ 4.500. Está aqui o contrato. E dizem que nós lavamos o dinheiro deste contrato. Ora, para você lavar o dinheiro do contrato, você não deveria estar usando um carro, porque é óbvio que, se você está usando o objeto do contrato, você não tem como lavar esse dinheiro", afirmou.

Diferentemente de Jaques Wagner, Sóstenes não foi alvo direto da operação nesta quarta (1º). O senador baiano esteve no centro da 9ª fase da operação Compliance Zero. A PF apontou que Wagner teria recebido um apartamento milionário em Salvador, além de outros benefícios, para atuar em favor de interesses do Banco Master no Congresso. Jaques Wagner nega.

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