Política

Cenário atual aponta desafios na política externa para o Brasil em 2025

Especialistas analisam postura do governo brasileiro e relação com parceiros importantes na América do Sul e os EUA

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Jésus Mosquéra
05/01/2025, 00:08 • Atualizado em 05/01/2025, 00:08
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Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Brasil terá desafios na política externa já previstos em 2025. São impasses na América do Sul, na relação com Javier Milei na Argentina e Nicolás Maduro na Venezuela. A volta de Donald Trump nos Estados Unidos, a relação com os Brics e a organização da COP30, em novembro, em Belém.

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A primeira mudança no cenário latino americano é a nova posse do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, marcada para o dia 10 de janeiro. Em uma indicação da distância entre os governos venezuelano e brasileiro, a cerimônia não contará com a presença de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O Brasil deve ser representado pela embaixadora em Caracas.

A relação entre os dois países se deteriorou diante da falta de transparência no processo eleitoral venezuelano e a não apresentação das atas que certificariam a vitória de Maduro.

O professor de relações internacionais da PUC-RS, João Yung, destaca a importância da presença de um representante do governo brasileiro na posse.

"O Brasil não pode deixar de comparecer, o Brasil não pode cortar relações diplomáticas com a Venezuela, assim como fez a Argentina, porque normalmente o Brasil tem um papel de mediador regional, de mediador da América do Sul, exatamente por ser a liderança da América do Sul", analisa.

Argentina

Ainda na América do Sul, os diplomatas brasileiros terão que lidar com o governo de Javier Milei, na Argentina. Representante da direita, ele já fez duras críticas a Lula e ao governo do PT. O clima tenso entre os líderes pôde ser percebido durante a Cúpula do G20, no Rio de Janeiro, em novembro do ano passado, primeira vez em que ficaram frente a frente no cumprimento, um frio aperto de mão e uma foto de poucos sorrisos. Apesar da antipatia mútua, os países terão que manter os diálogos ao longo de 2025, ainda mais agora que o governo de Javier Milei assumiu a presidência rotativa do Mercosul.

"Boas relações entre Brasil e Argentina, por mais que haja desalinhamentos entre os governos, são essenciais. A Argentina é fundamental para o Brasil e o Brasil é fundamental para Argentina. Então, mesmo que agora haja atritos no nível, inclusive, pessoal entre os dois presidentes, as relações elas continuarão ocorrendo", diz João Yung.

Relação com os EUA

Milei entra em 2025 como o líder da América do Sul mais próximo de Donald Trump, que tem posse marcada para 20 de janeiro. O argentino inclusive tem presença confirmada no evento do republicano, diferentemente de Lula. Durante a campanha nos Estados Unidos, o presidente brasileiro chegou a declarar a torcida para a candidata democrata na disputa, Kamala Harris.

Depois de vencer as eleições, Trump apontou o Brasil como um dos países que cobram muitas tarifas a produtos americanos e prometeu tratamento recíproco aos produtos brasileiros. Os Estados Unidos é o segundo maior parceiro comercial do Brasil, ficando atrás apenas da China. Só no ano passado, as exportações do país para o mercado norte-americano somaram mais de US$ 36 bilhões.

"A política externa brasileira é muito preocupada com a ideia de manter a autonomia, de ter uma postura mais assertiva, postura mais propositiva na política internacional. O que o Trump procura principalmente na suas relações bilaterais são lógicas de submissão, de subserviência e isso tende a criar um ponto de atrito importante com o governo brasileiro", afirma o professor de relações internacionais e pesquisador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Estudos sobre os Estados Unidos, Matheus Oliveira.

BRICS

Outro possível ponto de conflito com o governo dos Estados Unidos é em relação aos BRICS, grupo de países que reúne economias como a China, Rússia, Índia e África do Sul, e cuja a presidência rotativa está com o Brasil. Uma das principais agendas do bloco é o reforço do uso de moedas alternativas no comércio internacional, o que diminuiria a dependência do dólar, e desagradaria o governo americano.

"Com certeza isso traz ruídos nas relações do Brasil com o Ocidente quando se tem em vista que os Brics ele é cada vez mais percebido como uma espécie de bloco antiocidental, uma espécie de grupo revisionista da ordem internacional. Então, é um desafio para a diplomacia brasileira", aponta João Yung.

COP 30

Apesar dos desafios, o ano também traz oportunidades. A capital do Pará, Belém, vai receber em novembro a conferência das Nações Unidas (ONU) sobre as mudanças climáticas, a COP 30. Para o professor da PUC do Rio Grande do Sul, será o momento em que o Brasil poderá se colocar como protagonista mundial em assuntos do meio ambiente.

"A COP30 ela é um desafio para o Brasil, talvez o grande desafio do ano para o Brasil. Mas como um grande desafio traz muitas oportunidades. Uma COP 30 bem feita, que tenha boas reuniões e que tenha alguma resolução de peso, ela pode alavancar a posição do Brasil no mundo", ressalta.

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