Política

Braga Netto entregou dinheiro para militares golpistas em sacola de vinho

STF retirou sigilo da decisão que autorizou a prisão do general e ex-ministro da Defesa de Bolsonaro neste sábado (14)

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Emanuelle Menezes
14/12/2024, 14:52 • Atualizado em 14/12/2024, 15:50
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Walter Braga Netto | Marcelo Camargo/Agência Brasil

Walter Braga Netto | Marcelo Camargo/Agência Brasil

O general Walter Souza Braga Netto participou ativamente do planejamento e do financiamento da tentativa de golpe de Estado que previa executar o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, o vice Geraldo Alckmin e Alexandre de Moraes, ministro do STF (Supremo Tribunal Federal). A conclusão está na decisão da Suprema Corte que autorizou a prisão do ex-ministro da Defesa de Jair Bolsonaro (PL) neste sábado (14).

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"O novo depoimento do colaborador Mauro César Barbosa Cid, em 21/11/2024 – corroborado por documentos juntados aos autos – aponta que foi Walter Souza Braga Netto quem obteve e entregou os recursos necessários para a organização e execução da operação 'Punhal Verde e Amarelo' - evento 'Copa 2022'", diz a decisão.

Segundo Mauro Cid, em audiência que confirmou sua colaboração premiada, Braga Netto teria entregado dinheiro em uma sacola de vinho para o major Rafael Martins de Oliveira, preso na Operação Contragolpe, realizada pela Polícia Federal no dia 19 de novembro.

"O general Braga Netto entregou o dinheiro que havia sido solicitado para a realização da operação. O dinheiro foi entregue numa sacola de vinho", disse Cid em depoimento ao STF e à PF, no último dia 21.

Com as novas informações trazidas pelo ex-ajudante de ordens, que "revelaram a gravíssima participação de Walter Souza Braga Netto nos fatos investigados, em verdadeiro papel de liderança, organização e financiamento", Moraes decidiu acolher o pedido de prisão preventiva do general, feito pela PF.

General tentou atrapalhar investigação

Segundo Moraes, Braga Netto "atuou, reiteradamente, para embaraçar as investigações". O general tentou obter dados da delação premiada de Mauro Cid com familiares do colaborador, sobretudo o pai, Mauro César Lourena Cid.

"Os contatos telefônicos realizados com Mauro César Lourena Cid, genitor do colaborador, tinham a finalidade de obter dados sigilosos, controlar o que seria repassado à investigação, e, ao que tudo indica, manter informado os demais integrantes da organização criminosa", diz Moraes.

A PF também encontrou com o coronel do Exército Flávio Botelho Peregrino, ex-assessor de Braga Netto, um documento com perguntas e respostas relacionadas ao acordo de colaboração premiada de Mauro Cid. As respostas, segundo a decisão, indicam uma "tentativa de obtenção de dados sigilosos da colaboração com a finalidade de obstruir as investigações".

Cid confirmou ao delegado Fábio Shor que Braga Netto tentou obter informações do acordo de colaboração premiada e os termos da delação. "Isso aconteceu logo depois da minha soltura, quando eu fiz a colaboração naquele período, onde não só ele como outros intermediários tentaram saber o que eu tinha falado", disse.

O acordo de Cid chegou a correr risco, mas foi mantido por Moraes após o novo depoimento, em que ele acrescentou informações e esclareceu contradições.

O que diz a defesa de Braga Netto

A defesa de Braga Netto ainda não se pronunciou sobre a prisão do general. Em novembro, dois dias depois de ser indiciado, ele negou qualquer envolvimento com um suposto plano golpista e afirmou, por meio de uma nota assinada por seus advogados e publicada nas redes sociais, que "nunca se tratou de golpe, e muito menos de plano de assassinar alguém".

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