Boulos cobra Senado por fim da escala 6x1 antes da eleição
Ministro diz que tema é a principal prioridade do governo Lula no Congresso, pressiona Davi Alcolumbre a destravar a pauta e rejeita transição superior a um ano

O ministro da Secretaria-Geral, Guilherme Boulos | Renato Araújo/Câmara dos Deputados
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), defendeu nesta sexta-feira (7), em São Paulo, que o Senado vote o fim da escala 6x1 antes das eleições. A cobrança foi feita após uma reunião com centrais sindicais e movimentos sociais para discutir a mobilização em torno da redução da jornada de trabalho, sem redução de salário.
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O encontro reuniu representantes do movimento sindical, da União Nacional dos Estudantes, do MST e da Frente Povo Sem Medo. A proposta está parada no Senado e depende de um despacho do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil), para avançar.
Boulos disse que os senadores têm o direito de ser contra ou a favor da mudança, mas precisam se posicionar antes do pleito.
“Ninguém tem o direito de engavetar o direito de descanso do trabalhador brasileiro. O que nós defendemos é que seja votado e que seja votado antes da eleição.”
A pressa, segundo o ministro, passa também pelo receio de mudanças no texto depois das eleições. Boulos afirmou que o governo teme uma transição mais longa ou a inclusão de pontos que prejudiquem os trabalhadores.
O ministro citou ainda uma declaração de Valdemar Costa Neto. Segundo Boulos, o presidente do PL disse a empresários que trabalharia para impedir a votação antes da eleição. Para Boulos, deixar a decisão para depois do pleito seria apostar no “esquecimento do eleitor”, porque os parlamentares não teriam de assumir agora o custo de uma posição contrária à proposta.
Pressão sobre Alcolumbre
A cobrança de Boulos foi dirigida principalmente a Davi Alcolumbre. O ministro quer que a matéria seja encaminhada à CCJ e, depois, levada ao plenário.
Questionado por que o presidente do Senado estaria segurando a proposta, evitou especular: “Essa pergunta vocês têm que fazer para ele. Eu não vou fazer ilações aqui.”
Também não há, até agora, um acerto para a votação. Questionado se algum compromisso havia sido firmado após uma conversa do presidente Lula (PT) com Alcolumbre, Boulos respondeu que não e disse esperar um acordo nas próximas semanas.
O tempo é curto. De acordo com o ministro, restam duas semanas de esforço concentrado no Congresso antes das eleições: a próxima semana e a primeira semana de setembro.
Boulos disse que a prioridade dada ao tema não é uma decisão pessoal. Segundo ele, a posição foi definida em reunião de governo e chancelada pelo presidente Lula. Mesmo com outras pautas na mesa, como a PEC da Segurança e a questão dos minerais críticos, afirmou que “a prioridade é o fim da escala 6 por 1”.
Movimentos vão às ruas
Enquanto o governo tenta avançar na articulação política, sindicatos e movimentos sociais pretendem aumentar a pressão sobre os senadores.
Durante a reunião, foram anunciadas mobilizações nacionais em 10 e 30 de agosto. A UNE também informou que estudantes vão às ruas no dia 11, Dia do Estudante, com o fim da escala 6x1 entre as pautas.
A ideia apresentada pelos movimentos é atuar tanto nas ruas e nas redes sociais quanto nos estados, pressionando diretamente os senadores. Boulos defendeu a estratégia e disse que a mobilização social é legítima.
“Não dá para algumas pessoas da política brasileira fingirem que a PEC do fim da seis por um não existe. Isso é um escárnio, um deboche com a classe trabalhadora, com o povo desse país”, afirmou.














