Agência reguladora toma decisão por unanimidade após suspensão do CNPJ da antiga Refinaria de Manguinhos, no Rio de Janeiro
Caio Barcellos
Empresa é investigada por sonegação de impostos | Divulgação/Refit
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) revogou nesta sexta-feira (7) a autorização de funcionamento da Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, no Rio de Janeiro. A decisão foi tomada por unanimidade pelos diretores da reguladora.
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O principal fundamento foi a situação cadastral da companhia. O CNPJ da refinaria está suspenso desde 28 de maio de 2026 por determinação judicial, o que impede a emissão de notas fiscais, o registro atos empresariais e também a manutenção de contratos e operações comerciais.
A decisão amplia o cerco regulatório sobre o grupo de Ricardo Magro, que acumula interdições, processos administrativos e disputas judiciais com a ANP. A refinaria também aparece no centro de investigações sobre fraudes tributárias e movimentações financeiras no setor de combustíveis.
Refinaria já estava parada
Em comunicado ao mercado divulgado em junho, a Refit afirmou que suas atividades permaneciam “integralmente paralisadas” em razão da ordem judicial que suspendeu seu CNPJ e de restrições impostas pela Secretaria de Fazenda do Rio de Janeiro.
O embate com a ANP começou antes, em setembro de 2025. Na ocasião, a agência interditou cautelarmente as instalações da refinaria depois de uma fiscalização realizada em conjunto com a Receita Federal.
Na ocasião, os fiscais da ANP apontaram várias irregularidades nas instalações da Refit. A ação começou depois que a agência identificou descumprimento de medidas cautelares impostas à refinaria para o armazenamento de combustíveis das distribuidoras 76 Oil, Manguinhos Distribuidora e Rodopetro.
Foram coletadas mais de 100 amostras de produtos, entre eles nafta, condensado, gasolina, diesel e N-metil-anilina, sob a suspeita de que gasolina fora dos padrões exigidos tenha sido importada como se fosse nafta ou condensado, produtos sujeitos a tratamento tributário diferente, e depois modificada com a adição de N-metil-anilina para atingir a qualidade necessária para comercialização. Segundo a agência, a operação pode ter sido usada para pagar menos impostos.
Os fiscais também afirmaram não ter encontrado evidências suficientes de que a unidade realizava efetivamente o refino de petróleo, já que parte do material importado seria composta por produtos praticamente acabados, como gasolina e diesel S10.
Também foram identificados tanques sem autorização da agência ou usados para armazenar produtos de classe de risco superior à permitida, além de falhas nos registros de vazão da torre de destilação.
As constatações levaram à interdição cautelar das instalações, mas a ANP chegou a liberar parcialmente a instalação em outubro daquele ano, depois de a companhia comprovar o cumprimento de 10 das 11 exigências apresentadas pela fiscalização. Foram liberadas áreas de armazenamento, movimentação e carregamento, enquanto a torre de destilação permaneceu interditada.
Dias depois, porém, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou novamente a suspensão das atividades.
Disputa chegou à Justiça
O processo também provocou uma disputa sobre quem poderia participar das decisões da própria ANP.
A Refit questionou a atuação de Pietro Mendes e Symone Araújo em processos relacionados à refinaria e alegou falta de imparcialidade. Em março, a 11ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) acolheu parcialmente o pedido da empresa e anulou deliberações da agência que haviam rejeitado as arguições contra os dois diretores. Contudo, a decisão não liberou a refinaria para voltar a operar.
Em julho, o presidente do STJ, ministro Herman Benjamin, suspendeu os efeitos da decisão e permitiu que Mendes e Symone voltassem a participar dos processos referentes à Refit enquanto o mérito da controvérsia não é julgado definitivamente. Os 2 participaram da votação desta sexta-feira.
Operação da PF
A crise da Refit também avançou para a esfera criminal com a deflagração em maio pela Polícia Federal (PF) da Operação Sem Refino, que investiga suspeitas de fraudes fiscais, ocultação de patrimônio e envio de recursos ao exterior envolvendo empresas do grupo.
A operação cumpriu 17 mandados de busca e apreensão e determinou sete afastamentos de funções públicas no Rio de Janeiro, em São Paulo e no Distrito Federal. A Justiça também determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 52 bilhões em ativos financeiros de investigados e empresas.
Na ocasião, Ricardo Magro teve a prisão decretada e foi incluído na Difusão Vermelha da Interpol, mecanismo usado para localizar internacionalmente pessoas procuradas pela Justiça. Contudo, a PF apontou indícios de que Magro estivesse na Espanha.
A Refit contesta a vinculação societária. Em resposta à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a empresa afirmou que Magro não é acionista, administrador ou controlador da companhia e disse que a relação dele com a refinaria decorre de serviços advocatícios e de vínculo familiar com um controlador indireto.
A PF também investiga se agentes públicos atuaram para favorecer interesses relacionados à companhia. Entre os alvos da Operação Sem Refino está o ex-governador do Rio Cláudio Castro (PL), que foi alvo de buscas sob a justificativa de que medidas adotadas durante sua gestão teriam beneficiado a Refit, como a facilitação renegociação de débitos tributários.
Recuperação judicial
A Refinaria de Manguinhos está em recuperação judicial desde 2015. Em maio, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) pediu à Justiça que avaliasse a conversão do processo em falência.
Segundo o órgão, o passivo fiscal da empresa teria aumentado de cerca de R$ 5 bilhões para R$ 25,7 bilhões durante aproximadamente uma década de recuperação judicial. O Ministério Público argumenta que a companhia não conseguiu atingir o objetivo de reorganização econômico-financeira previsto no processo.
A Refit tem contestado as acusações e decisões tomadas contra a companhia. Em manifestações anteriores, afirmou ser alvo de tratamento desproporcional por parte da ANP e questionou autuações e medidas de interdição.
A agência reguladora rejeita a acusação e afirma que seus processos são conduzidos por servidores de carreira, com base na legislação e nas irregularidades identificadas pelas áreas técnicas.
Refit tem autorização de funcionamento revogada Agência reguladora toma decisão por unanimidade após suspensão do CNPJ da antiga Refinaria de Manguinhos, no Rio de Janeiro Economia2026-08-07T19:38:55.955ZA Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) revogou nesta sexta-feira (7) a autorização de funcionamento da Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, no Rio de Janeiro. A decisão foi tomada por unanimidade pelos diretores da reguladora. O principal fundamento foi a situação cadastral da companhia. O CNPJ da refinaria está suspenso desde 28 de maio de 2026 por determinação judicial, o que impede a emissão de notas fiscais, o registro atos empresariais e também a manutenção de contratos e operações comerciais. A decisão amplia o cerco regulatório sobre o grupo de Ricardo Magro, que acumula interdições, processos administrativos e disputas judiciais com a ANP. A refinaria também aparece no centro de investigações sobre fraudes tributárias e movimentações financeiras no setor de combustíveis. Refinaria já estava parada Em comunicado ao mercado divulgado em junho, a Refit afirmou que suas atividades permaneciam “integralmente paralisadas” em razão da ordem judicial que suspendeu seu CNPJ e de restrições impostas pela Secretaria de Fazenda do Rio de Janeiro. O embate com a ANP começou antes, em setembro de 2025. Na ocasião, a agência interditou cautelarmente as instalações da refinaria depois de uma fiscalização realizada em conjunto com a Receita Federal. Na ocasião, os fiscais da ANP apontaram várias irregularidades nas instalações da Refit. A ação começou depois que a agência identificou descumprimento de medidas cautelares impostas à refinaria para o armazenamento de combustíveis das distribuidoras 76 Oil, Manguinhos Distribuidora e Rodopetro. Foram coletadas mais de 100 amostras de produtos, entre eles nafta, condensado, gasolina, diesel e N-metil-anilina, sob a suspeita de que gasolina fora dos padrões exigidos tenha sido importada como se fosse nafta ou condensado, produtos sujeitos a tratamento tributário diferente, e depois modificada com a adição de N-metil-anilina para atingir a qualidade necessária para comercialização. Segundo a agência, a operação pode ter sido usada para pagar menos impostos. Os fiscais também afirmaram não ter encontrado evidências suficientes de que a unidade realizava efetivamente o refino de petróleo, já que parte do material importado seria composta por produtos praticamente acabados, como gasolina e diesel S10. Também foram identificados tanques sem autorização da agência ou usados para armazenar produtos de classe de risco superior à permitida, além de falhas nos registros de vazão da torre de destilação. As constatações levaram à interdição cautelar das instalações, mas a ANP chegou a liberar parcialmente a instalação em outubro daquele ano, depois de a companhia comprovar o cumprimento de 10 das 11 exigências apresentadas pela fiscalização. Foram liberadas áreas de armazenamento, movimentação e carregamento, enquanto a torre de destilação permaneceu interditada. Dias depois, porém, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou novamente a suspensão das atividades. Disputa chegou à Justiça O processo também provocou uma disputa sobre quem poderia participar das decisões da própria ANP. A Refit questionou a atuação de Pietro Mendes e Symone Araújo em processos relacionados à refinaria e alegou falta de imparcialidade. Em março, a 11ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) acolheu parcialmente o pedido da empresa e anulou deliberações da agência que haviam rejeitado as arguições contra os dois diretores. Contudo, a decisão não liberou a refinaria para voltar a operar. Em julho, o presidente do STJ, ministro Herman Benjamin, suspendeu os efeitos da decisão e permitiu que Mendes e Symone voltassem a participar dos processos referentes à Refit enquanto o mérito da controvérsia não é julgado definitivamente. Os 2 participaram da votação desta sexta-feira. Operação da PF A crise da Refit também avançou para a esfera criminal com a deflagração em maio pela Polícia Federal (PF) da Operação Sem Refino, que investiga suspeitas de fraudes fiscais, ocultação de patrimônio e envio de recursos ao exterior envolvendo empresas do grupo. A operação cumpriu 17 mandados de busca e apreensão e determinou sete afastamentos de funções públicas no Rio de Janeiro, em São Paulo e no Distrito Federal. A Justiça também determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 52 bilhões em ativos financeiros de investigados e empresas. Na ocasião, Ricardo Magro teve a prisão decretada e foi incluído na Difusão Vermelha da Interpol, mecanismo usado para localizar internacionalmente pessoas procuradas pela Justiça. Contudo, a PF apontou indícios de que Magro estivesse na Espanha. A Refit contesta a vinculação societária. Em resposta à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a empresa afirmou que Magro não é acionista, administrador ou controlador da companhia e disse que a relação dele com a refinaria decorre de serviços advocatícios e de vínculo familiar com um controlador indireto. A PF também investiga se agentes públicos atuaram para favorecer interesses relacionados à companhia. Entre os alvos da Operação Sem Refino está o ex-governador do Rio Cláudio Castro (PL), que foi alvo de buscas sob a justificativa de que medidas adotadas durante sua gestão teriam beneficiado a Refit, como a facilitação renegociação de débitos tributários. Recuperação judicial A Refinaria de Manguinhos está em recuperação judicial desde 2015. Em maio, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) pediu à Justiça que avaliasse a conversão do processo em falência. Segundo o órgão, o passivo fiscal da empresa teria aumentado de cerca de R$ 5 bilhões para R$ 25,7 bilhões durante aproximadamente uma década de recuperação judicial. O Ministério Público argumenta que a companhia não conseguiu atingir o objetivo de reorganização econômico-financeira previsto no processo. A Refit tem contestado as acusações e decisões tomadas contra a companhia. Em manifestações anteriores, afirmou ser alvo de tratamento desproporcional por parte da ANP e questionou autuações e medidas de interdição. A agência reguladora rejeita a acusação e afirma que seus processos são conduzidos por servidores de carreira, com base na legislação e nas irregularidades identificadas pelas áreas técnicas.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/economia/refit-tem-autorizacao-de-funcionamento-revogada
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