Política

Bolsonaro volta a negar tentativa de golpe, defende Eduardo e diz que tarifa de Trump não ataca soberania

"O mundo já entendeu que meu processo é uma farsa", declarou; ex-presidente falou a jornalistas dias após PGR pedir ao STF condenação por trama golpista

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Gabriela Tunes
17/07/2025, 15:01 • Atualizado em 17/07/2025, 16:32
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O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a negar nesta quinta-feira (17) participação ou liderança em uma tentativa de golpe de Estado, defendeu atuação do filho "03", o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), nos Estados Unidos e afirmou que tarifa de 50% imposta por Donald Trump a exportações nacionais não representa ataque à soberania do Brasil, minimizando possíveis efeitos da taxação. Falas ocorreram em coletiva de imprensa em Brasília, no Senado, dias após a Procuradoria-Geral da República (PGR) pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) condenação dele pela trama golpista.

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"Não tem cabimento falar em golpe. Quando há tentativa, o mundo sabe em minutos. Até hoje não chegaram à conclusão de quem comandou os atos", disse, acusando STF de querer condená-lo sem provas. Segundo ele, o relatório da Polícia Federal (PF) "não o coloca" como responsável e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, "vai além dos autos".

Sobre a colaboração premiada do tenente-coronel e ex-ajudante de ordens Mauro Cid, Bolsonaro afirmou que o ex-subordinado "mudou a delação sete vezes" e que "tudo está em sigilo".

Tarifas de Trump e cenário internacional

Bolsonaro também foi questionado sobre a decisão de Trump de taxar produtos brasileiros em 50%. Disse que as sobretaxas "não atacam a soberania nacional" e defendeu a atuação do filho Eduardo, que estaria negociando diretamente com aliados de Trump.

"Eduardo tem portas abertas na Casa Branca. Está fazendo mais do que a embaixadora, que está de férias. Trump quer democracia no Brasil e não injustiça", afirmou. "Ele já jogou pesado com a China. Por que não jogaria com o Brasil? O que ele não quer é o Brasil perto da Venezuela."

Para Bolsonaro, o país corre risco de ficar isolado e dependente da China, por erros do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). "O Brasil está ficando isolado. Eles são irresponsáveis. Estamos indo pro yuan [moeda chinesa] e esquecendo o dólar. Não tem competência", disse.

Críticas a Lula e ao STF e defesa do Pix

O ex-presidente também ironizou pedidos de investigação contra o filho Eduardo no STF, apresentados por parlamentares como o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) e o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), nessa quarta (16).

"Quem são esses dois? Olha a vida do Lindbergh. Vou fazer campanha no Amapá. Randolfe que se preocupe."

Quando perguntado sobre as críticas do governo de Trump ao Pix, disse: "Ele vai fazer uma investigação. Mas temos nada pra condenar sobre o Pix. Ninguém vive mais sem o Pix. Ele ajuda a diminuir o número de mortes", relembrou.

Sobre Alexandre de Moraes, relator de ações penais da trama golpista no Supremo, Bolsonaro revelou que se encontrou com o ministro em 2022, na casa do senador e ex-ministro-chefe da Casa Civil Ciro Nogueira (PP-PI), e disse estar surpreso com a postura atual do magistrado:

"Foi uma conversa ótima. Me surpreende a forma como ele me trata hoje."

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