Política

Bolsonaro diz que transferiu R$ 2 milhões a Eduardo: "Botei um dinheiro na conta dele"

Ex-presidente prestou depoimento à Polícia Federal nesta quinta (5), no inquérito que investiga a atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos

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Hariane Bittencourt
05/06/2025, 21:44 • Atualizado em 05/06/2025, 23:26
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Jair Bolsonaro depôs ao STF sobre filho Eduardo, licenciado nos EUA. | Divulgação

Jair Bolsonaro depôs ao STF sobre filho Eduardo, licenciado nos EUA. | Divulgação

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou nesta quinta-feira (5) que transferiu R$ 2 milhões para que seu filho Eduardo Bolsonaro (PL-SP) pudesse se manter nos Estados Unidos. A transferência foi realizada no dia 13 de maio.

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"Eu botei 2 milhões na conta dele. Lá fora tudo é mais caro. Eu tenho dois netos, um de quatro e outro de um ano de idade. Ele [Eduardo] está lá fora e eu não quero que ele passe por dificuldades", disse Bolsonaro.

Jair Bolsonaro prestou depoimento à Polícia Federal (PF) por cerca de duas horas. Ele disse que o valor repassado ao filho foi retirado de doações enviadas a ele por apoiadores, que totalizaram R$ 17 milhões.

O ex-presidente defendeu as medidas tomadas pelo filho, que está em território norte-americano desde fevereiro.

"O trabalho que ele faz lá é pela democracia no Brasil", afirmou aos jornalistas.

Questionado sobre suposta atuação de Eduardo Bolsonaro investigado por atuar junto ao governo americano para intimidar o judiciário brasileiro – incluindo sanções a Moraes –, o ex-presidente afirmou que "o trabalho que ele faz lá é por democracia no Brasil".

"Não existe lobby sobre essas questões. São fatos que atentam contra os direitos humanos e que atentam contra a liberdade de expressão”, disse Jair Bolsonaro.

Durante a oitiva na tarde desta quinta, nenhuma medida cautelar foi aplicada ao ex-presidente. O advogado de Jair Bolsonaro, Paulo Bueno, reforçou a versão de perseguição contra a família do ex-mandatário e questionou a investigação da PF.

"Esse inquérito foi aberto de forma absolutamente equivocada. Coação no curso do processo, obstrução de investigação sobre organização criminosa e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Nenhuma dessas três tipificações se mostram minimamente viáveis", disse.

Investigação

Jair Bolsonaro falou à PF na condição de testemunha, no inquérito que investiga uma suposta atuação internacional do deputado licenciado Eduardo Bolsonaro para obter sanções contra autoridades brasileiras, incluindo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Para a Procuradoria-Geral da República (PGR), o ex-presidente - que é réu por tentativa de golpe de estado - está sendo diretamente beneficiado pelas ações do filho. Eduardo Bolsonaro, que em breve também deve prestar depoimento, passou a ser investigado em maio.

Na última segunda-feira (2), o líder do Partido dos Trabalhadores (PT) na Câmara, Lindbergh Farias (PT-RJ) prestou depoimento no mesmo inquérito. Autor da solicitação de investigação, ele pediu que Jair Bolsonaro seja responsabilizado pelo apoio que tem dado ao filho.

"Não tenho nada a ver com Zambelli"

A jornalistas, Jair Bolsonaro também falou sobre a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), que deixou o Brasil após ser condenada pelo Supremo Tribunal Federal.

"Não tenho nada a ver com a Carla Zambelli. Não botei dinheiro no PIX dela", disse.

O ex-presidente disse achar "excelente" a oportunidade de prestar depoimento ao ministro Alexandre de Moraes, do STF. Na semana que vem, ele e mais sete réus serão ouvidos na ação sobre uma tentativa de golpe de estado no Brasil.

"Eu acho que é excelente a ideia de ao vivo nós falarmos sobre golpe de Estado. Estou muito feliz que teremos a oportunidade de esclarecer o que aconteceu naquele momento. Sem problema nenhum", concluiu.

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