Política

Barroso diz que algumas penas do 8 de Janeiro ‘ficaram elevadas’ e defende revisões

Para o ministro do STF, crimes de Golpe de Estado e abolição violenta do Estado de Direito não deveriam acumular para executores

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Camila Stucaluc
08/10/2025, 08:57 • Atualizado em 08/10/2025, 08:57
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Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso | Agência Brasil

Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso | Agência Brasil

O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), admitiu que algumas penas dos condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023 “ficaram elevadas”. A declaração foi feita na terça-feira (7), durante o 1º Seminário Judiciário e Sociedade, promovido pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp).

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“Eu concordo que algumas penas, sobretudo as dos executores que não eram mentores, ficaram elevadas. Eu mesmo apliquei penas menores”, disse Barroso.

“Me manifestei antes do julgamento do ex-presidente [Jair Bolsonaro], considerando bastante razoável a redução das penas para não acumular os crimes de golpe de Estado e abolição violenta do Estado de Direito. Isso permitiria que essas pessoas saíssem em dois anos, dois anos e pouco. Acho que estava de bom tamanho”, continuou o ministro.

Na fala, Barroso afirmou que o julgamento causou um mal-estar no país, uma vez que o eleitorado de Bolsonaro representou 49% dos votos no segundo turno das eleições de 2022. Ele defendeu, no entanto, que o STF não poderia deixar de julgar os envolvidos nos atos antidemocráticos, uma vez que havia provas de plano de golpe.

“O ex-presidente perdeu as eleições, mas tinha muito apoio na sociedade. Não podemos ignorar essas coisas, mas também não podemos deixar de julgar. Agora, com as provas públicas, é inegável que existia um plano chamado ‘Punhal Verde e Amarelo’, que previa assassinar o presidente eleito, o vice-presidente e um ministro. Precisamos trabalhar com fatos, e esses são fatos comprovados”, disse.

Barroso demonstrou estar aberto ao diálogo sobre a revisão das penas, mas não à anistia aos condenados — pauta que ganhou prioridade entre parlamentares da direita no Congresso. Assim como já dito anteriormente, o ministro apoiou a dosimetria das penas, processo que pode desacumular determinados crimes e reduzir as penas dos condenados do 8 de janeiro.

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