Política

Bancada agro defende boicote ao Carrefour: “Se carne brasileira serve aqui, tem que servir na França”

Presidente da Frente da Agropecuária, Pedro Lupion prometeu tramitação célere de projetos para reciprocidade comercial

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Lara Curcino, Leonardo Cavalcanti
25/11/2024, 23:18 • Atualizado em 25/11/2024, 23:18
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Foto: Divulgação/Mapa

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O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado federal Pedro Lupion (PP-PR), defendeu nesta segunda-feira (25) que os produtores do agro brasileiro deixem de fornecer carne ao Carrefour, após a rede de supermercados anunciar que não vai mais importar o alimento do Mercosul para vender em suas lojas na França.

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“Não só acho certo [o boicote], como fui eu que incentivei. Se não serve para a França, que não sirva para cá. Então a solução é não entregar [a carne] para o Carrefour. Inclusive saiu já a informação de que o Carrefour já está tendo dificuldades de receber novos produtos para as lojas aqui no Brasil”, disse ele, em entrevista ao programa Poder Expresso, do SBT News.

O parlamentar ainda disse que a bancada agro e a FPA terão uma reunião nesta terça-feira (26) com o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), para tratar sobre o tema. Ele quer comprometimento e celeridade com os dois projetos que estão no Congresso sobre a lei que prevê a reciprocidade econômica entre países que mantêm relação comercial com o Brasil.

“Nós temos amanhã uma reunião com Lira para tratar desse assunto da lei de reciprocidade. Temos um projeto na Câmara e um no Senado. Vamos dar celeridade para que essas matérias tramitam. Isso é o mínimo que a gente pode dar de resposta para o bloco europeu. Se eles não querem um tratado da União Europeia com o Mercosul, não é punindo os produtores brasileiros que eles vão conseguir resolver isso”, disse ele.

A fala de Lupion faz referência ao acordo entre os blocos europeu e sul-americano, que foi assinado em 2019, mas até hoje não saiu do papel, por falta de consenso entre as partes sobre as regras a serem aplicadas à parceria. A decisão do Carrefour acontece após um histórico de protestos recentes de produtores franceses, que são contrários ao acerto.

“Os produtos do Mercosul chegam à França com uma competitividade melhor do que os deles, que são caros de produzir. E eles estão tentando ocupar esse espaço exigindo que seus governos façam com que os alimentos da América do Sul não cheguem lá. Essa foi a resposta do Carrefour aos pecuaristas franceses”, apontou o deputado.

O presidente da FPA pontuou ainda que a grande preocupação é que a decisão do Carrefour abra precedente para que outras empresas internacionais adotem a mesma postura.

“A parcela do que é exportado para a França é muito pequena atualmente. Mas o que nos preocupa é que se abra um precedente para dizer como a gente tem que produzir e que nosso produto não vale nada. A verdade é que o Carrefour, assim como diversos outros estabelecimentos, vende carne brasileira em várias lojas do nosso país. Carne bem fiscalizada, de qualidade. Se serve aqui, tem que servir lá. O que eles estão fazendo é uma irresponsabilidade e não podemos aceitar”, afirmou.

Lupion ainda elogiou a postura do ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, ao incentivar o boicote dos produtores brasileiros às lojas do Carrefour no país. Ele pediu que o restante do governo Lula, porém, adote um comportamento mais rígido em relação à França para reverter o ocorrido.

“O ministro reagiu fortemente e da forma correta para dar um basta nessa história, mas, ao mesmo tempo, a ministra do Meio Ambiente [Marina Silva] viaja o mundo inteiro falando mal da nossa produção. A gente precisa ter um comprometimento do governo, que, ao invés de ficar andando de braços dados com [o presidente francês Emmanuel] Macron lá no meio da Amazônia, tem que fazer uma ligação para ele e dizer que não vamos aceitar isso”, declarou ele, em referência à visita de Macron e Lula à floresta amazônica, em março. Confira a entrevista completa:

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