Aliados reagem à transferência de Bolsonaro para a Papudinha e criticam Moraes
Ministro do STF diz que condições especiais não transformam cumprimento da pena em “estadia hoteleira”, enquanto aliados falam em “perseguição política”


Vicklin Moraes
Após a transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro nesta quinta-feira (15) da Superintendência Regional da Polícia Federal para o 19º Batalhão da Polícia Militar, conhecido como Papudinha, dentro do Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal, aliados e apoiadores reagiram à decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
O vereador Carlos Bolsonaro, filho do ex-presidente, criticou o magistrado em publicação nas redes sociais. “Alexandre de Moraes praticou tamanha maldade contra o último presidente do Brasil, que jamais descumpriu uma linha da Constituição, e também contra os presos do 8 de janeiro”, escreveu. Ele acrescentou que “aliados do PT já praticaram atos muito mais graves e nada lhes aconteceu” e classificou a condenação de Bolsonaro como “o maior dos absurdos”.
O deputado federal Sóstenes Cavalcante, líder do Partido Liberal na Câmara, afirmou que o país vive um cenário de “arbítrio judicial”. “O que vemos não é justiça. É autoritarismo de toga, abuso de poder institucionalizado”, declarou. Para ele, a transferência representa “punição política” e “vingança travestida de legalidade”.
A deputada federal Bia Kicis afirmou que “isso não é justiça” e disse que Bolsonaro “deveria ir para casa”. Já o deputado Nikolas Ferreira declarou que, embora o novo local “aparentemente pareça melhor, com menos barulho e atendimento médico 24 horas”, a principal pergunta permanece: “por que não enviá-lo para casa?”. Segundo ele, Bolsonaro “deveria estar livre por um crime que nunca cometeu”.
Na decisão, Alexandre de Moraes afirmou que as condições excepcionais concedidas ao ex-presidente não transformam o cumprimento da pena em “estadia hoteleira” nem em “colônia de férias”. Segundo o ministro, os benefícios autorizados têm caráter “absolutamente excepcional”, mas não descaracterizam o cumprimento definitivo da pena.
Na segunda-feira (13), Moraes também negou pedido da defesa para reconsiderar a decisão que rejeitou os embargos infringentes apresentados contra a condenação. No documento, os advogados sustentaram que os embargos seriam cabíveis porque a condenação, decidida por maioria na Primeira Turma do STF, teve divergência do ministro Luiz Fux, que votou pela absolvição de Bolsonaro.








