Acadêmicos de Niterói: Aliados de Lula minimizam ofensiva e falam em ‘tiro no pé’ da oposição
Desfile em homenagem ao presidente é alvo de ações na Justiça Eleitoral


Marcela Mattos
Aliados de Lula veem pouca chance de prosperar alguma ação jurídica que possa gerar condenações na Justiça Eleitoral em razão do desfile realizado pela Acadêmicos de Niterói no último domingo (15).
Na avaliação de interlocutores do presidente, o veto à participação de ministros e a decisão de última hora da primeira-dama Janja de não desfilar na avenida são suficientes para afastar o enquadramento de abuso de poder ou antecipação de campanha eleitoral.
A escola de samba escolheu como tema deste ano fazer uma homenagem ao presidente Lula, o que, para a oposição, transformou a Sapucaí em um comício eleitoral. Políticos do Novo e do PL prometem acionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com ações que podem levar da aplicação de multas à inelegibilidade do petista.
Ao longo da semana, o TSE manteve a homenagem a Lula no Carnaval, mesmo o presidente sendo candidato nestas eleições, mas encaminhou alertas.
A presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia, afirmou que “a festa popular do Carnaval não pode ser fresta para ilícitos de ninguém”. Apontou ainda para um cenário de areia movediça: “quem entra, o faz sabendo que pode afundar".
Um bem posicionado aliado de Lula diz que a oposição conseguiu um efeito contrário e, na prática, deu um “tiro no pé” ao chamar ainda mais atenção para o desfile. “Quem não tinha interesse em ver, acabou vendo”, ironiza esse auxiliar.
No governo, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, era uma das principais defensoras de que Janja desfilasse na avenida. Pessoas que acompanharam a família presidencial relatam que até a última hora havia a previsão da participação da primeira-dama, que acabou desistindo sob o argumento de evitar “perseguição” ao marido.
A desistência levou a uma solução improvisada, com a substituição de Janja pela cantora Fafá de Belém, que havia cantado durante a concentração na Sapucaí.
Em nota, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) afirmou nesta segunda-feira (16) que não houve qualquer ingerência do governo federal na escolha ou no desenvolvimento do enredo da Acadêmicos de Niterói.









