Política

“Abin paralela”: Moraes retira sigilo de relatório da PF que indica uso político da agência

Decisão visa a evitar vazamentos e prejuízos ao processo; documento aponta indícios de espionagem ilegal no governo Bolsonaro

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Jessica Cardoso
18/06/2025, 21:02 • Atualizado em 19/06/2025, 00:18
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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes retirou nesta quarta-feira (18) o sigilo do relatório final da Polícia Federal (PF) sobre o inquérito que apura o uso ilegal da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para fins pessoais e políticos por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. O esquema ficou conhecido como “Abin paralela”.

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Segundo Moraes, a decisão foi tomada devido aos “inúmeros vazamentos seletivos de trechos do relatório apresentado pela autoridade policial” que resultaram em “matérias confusas, contraditórias e errôneas na mídia”.

“Para evitar a continuidade de vazamentos seletivos e prejuízo à instrução processual, determino o levantamento do sigilo [...] Mantenho o sigilo das petições em anexo, relacionadas aos dados bancários e fiscais dos investigados”, escreveu o ministro na decisão.

O documento, com 1.125 páginas, indica 36 pessoas por envolvimento no caso e foi encaminhado ao STF. Entre os indiciados estão o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ), o deputado federal e ex-diretor da Abin Alexandre Ramagem (PL-RJ) e o atual diretor da agência, Luiz Fernando Corrêa.

No caso do ex-presidente Jair Bolsonaro, a PF concluiu que ele tinha conhecimento do esquema e foi o principal beneficiário. Ele, no entanto, não foi indiciado no relatório porque já existe uma ação penal em curso contra ele pelos crimes de organização criminosa armada e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito no processo sobre a trama golpista.

O relatório também ressalta que novas diligências estão em andamento e que a Controladoria-Geral da União (CGU) ainda analisa materiais que podem levar à produção de um relatório complementar sobre o caso.

Outro lado

Nem a atual gestão da Abin, nem Alexandre Ramagem quiseram se manifestar sobre o caso.

Jair Bolsonaro e Carlos Bolsonaro alegaram que o relatório tem motivação política, visando as eleições de 2026, já que o filho do ex-presidente acabou de se colocar à disposição para disputar uma vaga no senado no ano que vem.

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