50% veem risco de interferência nas eleições, diz Datafolha
32% enxergam a interferência externa como algo preocupante, enquanto 18% responderam o oposto

A propaganda eleitoral começou no domingo (16). | Tânia Rêgo/Agência Brasil
Recorte da pesquisa Datafolha divulgada neste domingo (23) mostra que metade da população brasileira acha que as eleições de outubro podem sofrer interferência de outro país. Desse total, 32% enxergam a interferência externa como algo preocupante, enquanto 18% acreditam ser um movimento positivo.
Por outro lado, 43% não veem a possibilidade de intromissão de outra nação no pleito deste ano.
A tensão entre os dois países escalou depois que o o Ministério das Relações Exteriores rejeitou, no mês passado, pedido de visto de dois funcionários do Departamento de Estado americano.
Os dois pretendiam, supostamente, dar entrada no Brasil como parte de uma missão para questionar as eleições presidenciais e o funcionamento das urnas brasileiras.
Além disso, mais recentemente, o governo dos Estados Unidos cancelou o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti.
Em nota ao SBT News, enviada no início deste mês de agosto, o Departamento de Estado afirmou que a medida não configura declaração de persona non grata, mas sim uma ação de reciprocidade.
A decisão foi tomada em resposta ao que foi entendido pelo governo Donald Trump como demora do governo brasileiro em conceder o agrément — aprovação diplomática formal necessária para que um embaixador estrangeiro assuma o cargo — a Daniel Perez, indicado pelo presidente americano para representar os Estados Unidos no Brasil.
Lula e Trump
Diante do clima hostil, Lula conversou na última semana com o presidente dos EUA, Donald Trump, na tentativa de colocar panos quentes na relação bilateral.
De acordo com interlocutores do Palácio do Planalto, Trump perguntou a Lula sobre o processo eleitoral brasileiro. O presidente americano quis saber como estavam os preparativos para o pleito de outubro, sem citar, por exemplo, o candidato Flávio Bolsonaro (PL).
Lula respondeu que o processo eleitoral brasileiro é confiável e que as campanhas já começaram. Disse ainda que as eleições estão transcorrendo normalmente, sem entrar em detalhes sobre a atuação da Justiça Eleitoral. Segundo interlocutores, foram referências genéricas ao processo eleitoral. A democracia brasileira não foi discutida.
Antes do telefonema entre os líderes, porém, o petista alertou que uma eventual interferência de Washington no processo eleitoral seria considerada um ataque à soberania. “Quem vier dar palpite nas eleições desse país vai perder”, declarou o presidente na ocasião.
Outro ponto baixo na relação foi a classificação, pelos EUA, das facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como “organizações terroristas”. O governo brasileiro rechaça a designação.
O receio do Palácio do Planalto está nos efeitos que a legislação americana permite produzir a partir da classificação, com sanções que podem atingir não apenas integrantes das facções, mas empresas, instituições financeiras e setores econômicos que passem a ser associados, mesmo indiretamente, às organizações.
A pesquisa Datafolha foi realizada de 18 a 20 de agosto com 2.058 entrevistados. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos e o nível de confiança é de 95%. O número de registro no TSE é BR-04496/2026.
Voto obrigatório
O Datafolha também questionou os eleitores sobre a obrigatoriedade do voto no Brasil, em vigor desde 1932. São 56% os que afirmam que votariam nas eleições deste ano mesmo se o voto fosse facultativo.
Outros 43% dizem que não iriam às urnas. O índice vai a 49% entre brasileiros de 16 a 24 anos. A menor taxa é de 38%, entre pessoas a partir de 60 anos. Jovens de 16 e 17 anos e idosos acima de 70 anos não são obrigados a votar.
Nas eleições gerais de 2022, a taxa de abstenção foi de 20,9%, a maior no século XXI. Quem não no Brasil está sujeito ao pagamento de multa de R$ 3,51.















