Brasil descarta acelerar agrément para embaixador dos EUA
Fontes dizem que aprovação do nome de Daniel Perez pelo Senado americano não deve pressionar o governo brasileiro a acelerar o processo de análise

Trump junto a Perez | Reprodução/X
A aprovação pelo Senado dos Estados Unidos do nome de Daniel Perez para ser o novo embaixador americano no Brasil não deve pressionar o governo Lula (PT) a acelerar a concessão do aceite oficial (agrément) para o indicado do presidente Donald Trump, segundo fontes da diplomacia brasileira.
Diplomatas afirmam que o processo continuará em análise normalmente e dizem que permanece válida a posição que foi externada pelo Itamaraty na terça-feira (4).
A indicação de Perez foi chancelada pelo Senado americano em uma votação acirrada, com placar de 51 votos a favor e 47 contra. O diplomata ainda precisa, contudo, do aval do governo brasileiro.
Nos últimos dias, aumentou a tensão entre Washington e Brasília, após a Casa Branca cancelar na terça-feira (4) o visto da embaixadora do Brasil nos EUA, Maria Luiza Ribeiro Viotti. Para justificar a medida, o governo Trump alegou “demora injustificada” da gestão Lula em conceder o agrément a Daniel Perez.
O governo brasileiro disse que a justificativa é “falsa”. “O Brasil segue estritamente o direito internacional. Não há regra na Convenção de Viena estipulando prazo para a concessão do agrément. O pedido norte-americano ainda se encontra em análise”, dizia a nota.
Outro fator que piorou a relação bilateral foi a negativa do governo Lula para a concessão de vistos a dois integrantes do Departamento de Estado americano, chefiado por Marco Rubio.
“Os dois funcionários do governo norte-americano que tiveram seus vistos de entrada no Brasil negados planejavam visitar o país para colocar em dúvida a integridade do sistema eleitoral brasileiro, em tentativa inaceitável de interferir no processo político nacional”, justificou o Ministério das Relações Exteriores.
O governo Lula também acusou os EUA de quererem interferir nas eleições presidenciais brasileiras. Nesta sexta-feira (7), Lula chamou Rubio de “bolsonarista” e "latino-americano frustrado", em referência à origem cubana do braço direito de Trump.























