Conversa foi a quarta e mais longa entre os dois e também tratou de eleições; Lula e Trump não marcaram reunião presencial, que está no radar do Planalto
Hariane Bittencourt
Lula durante encontro com Donald Trump nos EUA. | Foto: Ricardo Stuckert
A ligação entre os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e Estados Unidos, Donald Trump, já vinha sendo negociada havia semanas e aconteceu na manhã desta sexta-feira (21), depois de um retorno positivo da Casa Branca na quinta-feira. Durante a conversa, Trump elogiou Lula e perguntou ao presidente brasileiro sobre as eleições no Brasil. Segundo interlocutores, o petista aproveitou a oportunidade para defender que o sistema eleitoral brasileiro é confiável.
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A conversa durou 1h20 e foi a quarta entre os dois presidentes — e a mais longa por telefone. Antes disso, eles haviam conversado em outubro do ano passado, por cerca de 30 minutos; em janeiro deste ano, por aproximadamente 50 minutos; e em maio, por cerca de 40 minutos.
O diálogo foi concentrado nos dois presidentes, sem intervenções de assessores. Não houve, porém, o agendamento de uma reunião presencial em Brasília, Washington ou durante a Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em setembro. Um encontro entre os dois ainda está no radar do governo brasileiro.
Lula e Trump não discutiram a situação da embaixadora brasileira nos Estados Unidos, Maria Luiza Viotti, que teve o visto americano alterado no começo do mês. O presidente brasileiro também não abordou a questão do chefe do Departamento de Estado americano, Marco Rubio, que é alvo frequente de críticas de Lula por sua atuação em relação ao Brasil.
Do lado brasileiro, acompanharam a ligação o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira; o assessor-chefe da Assessoria Especial do Presidente da República, Celso Amorim; o secretário de Imprensa da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Laércio Portela; e o assessor-chefe adjunto da Assessoria Especial do Presidente da República, Audo Faleiro.
Além dos temas centrais da conversa — comércio, combate ao crime organizado e questões globais — Trump perguntou a Lula sobre o processo eleitoral brasileiro. Segundo fontes do Palácio do Planalto, o presidente americano quis saber como estavam os preparativos para o pleito de outubro, sem citar, por exemplo, o candidato Flávio Bolsonaro (PL).
Lula respondeu que o processo eleitoral brasileiro é confiável e que as campanhas já começaram. Disse ainda que as eleições estão transcorrendo normalmente, sem entrar em detalhes sobre a atuação da Justiça Eleitoral. Segundo interlocutores, foram referências genéricas ao processo eleitoral. A democracia brasileira não foi discutida.
Assessores do governo brasileiro avaliam que a conversa foi convergente e até elogiosa, embora não detalhem quais elogios Trump teria feito a Lula. A avaliação no Planalto é que a ligação representa um passo importante para reabrir o canal de diálogo entre os dois presidentes após o novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos.
Na avaliação de assessores brasileiros, a conversa também dificulta uma eventual manifestação direta de Trump sobre o processo eleitoral brasileiro. Eles não descartam, porém, que ataques ao processo eleitoral partam de outros integrantes do governo americano alinhados à família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A ligação, articulada entre o Palácio do Planalto e a Casa Branca, terminou com Trump reforçando que existe um canal direto entre os dois presidentes, sem necessidade de intermediários ou caminhos burocráticos. Segundo fontes, o presidente americano disse a Lula que poderia procurá-lo quando quisesse.
Os bastidores da ligação entre Lula e Trump Conversa foi a quarta e mais longa entre os dois e também tratou de eleições; Lula e Trump não marcaram reunião presencial, que está no radar do PlanaltoPolítica2026-08-21T20:47:58.223ZA ligação entre os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e Estados Unidos, Donald Trump, já vinha sendo negociada havia semanas e aconteceu na manhã desta sexta-feira (21), depois de um retorno positivo da Casa Branca na quinta-feira. Durante a conversa, Trump elogiou Lula e perguntou ao presidente brasileiro sobre as eleições no Brasil. Segundo interlocutores, o petista aproveitou a oportunidade para defender que o sistema eleitoral brasileiro é confiável. A conversa durou 1h20 e foi a quarta entre os dois presidentes — e a mais longa por telefone. Antes disso, eles haviam conversado em outubro do ano passado, por cerca de 30 minutos; em janeiro deste ano, por aproximadamente 50 minutos; e em maio, por cerca de 40 minutos. O diálogo foi concentrado nos dois presidentes, sem intervenções de assessores. Não houve, porém, o agendamento de uma reunião presencial em Brasília, Washington ou durante a Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em setembro. Um encontro entre os dois ainda está no radar do governo brasileiro. Lula e Trump não discutiram a situação da embaixadora brasileira nos Estados Unidos, Maria Luiza Viotti, que teve o visto americano alterado no começo do mês. O presidente brasileiro também não abordou a questão do chefe do Departamento de Estado americano, Marco Rubio, que é alvo frequente de críticas de Lula por sua atuação em relação ao Brasil. Do lado brasileiro, acompanharam a ligação o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira; o assessor-chefe da Assessoria Especial do Presidente da República, Celso Amorim; o secretário de Imprensa da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Laércio Portela; e o assessor-chefe adjunto da Assessoria Especial do Presidente da República, Audo Faleiro. Além dos temas centrais da conversa — comércio, combate ao crime organizado e questões globais — Trump perguntou a Lula sobre o processo eleitoral brasileiro. Segundo fontes do Palácio do Planalto, o presidente americano quis saber como estavam os preparativos para o pleito de outubro, sem citar, por exemplo, o candidato Flávio Bolsonaro (PL). Lula respondeu que o processo eleitoral brasileiro é confiável e que as campanhas já começaram. Disse ainda que as eleições estão transcorrendo normalmente, sem entrar em detalhes sobre a atuação da Justiça Eleitoral. Segundo interlocutores, foram referências genéricas ao processo eleitoral. A democracia brasileira não foi discutida. Assessores do governo brasileiro avaliam que a conversa foi convergente e até elogiosa, embora não detalhem quais elogios Trump teria feito a Lula. A avaliação no Planalto é que a ligação representa um passo importante para reabrir o canal de diálogo entre os dois presidentes após o novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos. Na avaliação de assessores brasileiros, a conversa também dificulta uma eventual manifestação direta de Trump sobre o processo eleitoral brasileiro. Eles não descartam, porém, que ataques ao processo eleitoral partam de outros integrantes do governo americano alinhados à família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A ligação, articulada entre o Palácio do Planalto e a Casa Branca, terminou com Trump reforçando que existe um canal direto entre os dois presidentes, sem necessidade de intermediários ou caminhos burocráticos. Segundo fontes, o presidente americano disse a Lula que poderia procurá-lo quando quisesse.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/politica/os-bastidores-da-ligacao-entre-lula-e-trump
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