Datafolha: Lula tem 47% no 2º turno contra 43% de Flávio
Pesquisa mostra situação de empate técnico na margem de erro; em julho, eram 48% a 43%

Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) em atos de campanha | Ricardo Stuckert/Flickr – Vittor Sales/Flickr
Pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (21) mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 47% das intenções de voto no segundo turno das eleições, contra 43% do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O resultado coloca Lula e Flávio em situação de empate técnico dentro da margem de erro. No levantamento de julho, Lula tinha 48% contra 43% de Flávio.
É a primeira pesquisa do instituto desde o pontapé dado pelas campanhas no domingo (16). Na sexta (28), começa o período de horário eleitoral gratuito na rádio e TV.
A oscilação aumenta a pressão sobre a campanha petista em meio ao avanço de uma investigação da Polícia Federal (PDF) que apura se seu filho mais velho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, atuava como lobista dentro do governo – o que poderia configurar tráfico de influência.
No primeiro turno, o presidente soma 39%, enquanto o senador registra 33%. A diferença de 6 pontos é também menor que a do último mês, quando Lula aparecia com 40% dos votos e Flávio com 32%. A variação está dentro da margem de dois pontos.
Na sequência está o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), com 5%, e o ativista libertário Renan Santos (Missão), com 4%. Romeu Zema (Novo) tem 3%. O escritor Augusto Cury (Avante) tem 2%. Todos estão, na prática, empatados na margem.
Samara Martins (UP), Rui Costa Pimenta (PCO), Clariana Barão (DC), Edmilson Costa (PCB), Hertz Dias (PSTU) e Wilson Grassi (Democrata) marcam 1% ou menos. Brancos e nulos são 6%, enquanto 4% dos eleitores ainda não têm opinião formada.
O Datafolha também testa um cenário com a presença do empresário Pablo Marçal (PRTB), que está inelegível e foi barrado de usar fundos de campanha pela Justiça Eleitoral. O impacto de sua presença é baixo: Marçal teria 2% das intenções.
Veja abaixo atos de campanha dos principais candidatos:
A pesquisa mostra que Lula teria vantagem para ser reeleito mesmo se Flávio não fosse o nome da direita no segundo turno: venceria Caiado por 47% a 40%, Zema por 48% a 38% e Renan Santos por 47% a 37%.
O Datafolha entrevistou presencialmente 2.058 eleitores de 18 a 20 de agosto. A margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais, com um intervalo de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no TSE (Superior Tribunal Eleitoral) com o número BR-04496/2026.
Rejeição
Questionados sobre quem não votariam de jeito nenhum no primeiro turno, os eleitores responderam:
- Flávio Bolsonaro (PL): 46%;
- Lula (PT): 45%;
- Pablo Marçal (PRTB): 22%;
- Romeu Zema (Novo): 16%;
- Renan Santos (Missão): 14%;
- Ronaldo Caiado (PSD): 14%;
- Rui Costa Pimenta (PCO): 13%;
- Samara Martins (UP):10%;
- Edmilson Costa (PCB): 10%;
- Clariana Barão (DC): 9%;
- Veterinário Wilson Grassi (Democrata): 8%;
- Hertz Dias (PSTU): 8%;
- Escritor Augusto Cury (Avante): 8%;
- Rejeita todos/não votaria em nenhum: 2%;
- Votaria em qualquer um/não rejeita nenhum: 2%;
- Não sabe: 2%.
Investigações contra Lulinha
Desde 27 de julho, quando a última rodada do Datafolha foi divulgada, um novo fato político entrou na balança: o avanço do cerco da PF contra Lulinha. Como mostrou o SBT News, novos detalhes das investigações indicam que o filho de Lula atuava em coordenação com a advogada Roberta Luchsinger e o empresário Fernando Bittar para intermediar interesses privados de empresários junto ao governo federal.
O grupo teria a ajuda, entre outros, de Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, então chefe de gabinete da Presidência da República, para destravar reuniões e abrir caminho para empresas no Planalto. Segundo o inquérito, Roberta passou a pagar despesas pessoais de Marcola em 2024. Foram mais de R$ 217 mil, incluindo gastos pessoais e joias.
Um dos casos intermediados pelo trio envolve o Ministério da Saúde. A investigação aponta que Roberta e Lulinha teriam atuado para destravar a regulamentação do uso de canabidiol e, na sequência, viabilizar a contratação de uma empresa ligada a Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, apontado como o principal operador do esquema de fraudes contra aposentados e pensionistas e que está preso desde setembro.
O negócio era estimado em mais de R$ 1 bilhão. Em uma das mensagens, a advogada diz que precisava de “100% do berger”, em referência a Swedenberger Barbosa, então secretário-executivo do Ministério da Saúde. A reunião entre os dois teria sido articulada após a intervenção de Lulinha.
Há três inquéritos contra Fábio Luís no STF. Um está na mão do ministro Flávio Dino e dois com André Mendonça, que mandou a PF averiguar vazamentos de informações sigilosas sobre a investigação relacionadas à Operação Sem Desconto, que investiga fraudes no INSS.
Nesta semana, a Procuradoria Geral da República (PGR) pediu ao gabinete de Mendonça que retire a investigação do Supremo e envie para a primeira instância ao entender que nenhum dos envolvidos ocupa cargo que justifique julgamento do Supremo.
O ministro é contra e se baseia na menção de pessoas com foro privilegiado nas conversas entre os envolvidos. Na visão da PGR, o caso não tem relação com as fraudes do INSS.















