Cidades

Testemunha de agressões que levaram mulher trans à morte em BH tentou pagar dívida de bar: 'Desconversaram'

Alice Alves foi espancada por dois homens, funcionários de um estabelecimento; eles alegaram que a vítima não pagou conta de R$ 22

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Sofia Pilagallo
28/11/2025, 22:30 • Atualizado em 28/11/2025, 23:31
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Lauro Cesar Gonçalves Pereira (à esq.), principal testemunha das agressões que levaram à morte de Alice Martins Alves (à dir.), uma mulher trans, em Belo Horizonte | Fotos: Arquivo pessoal

Lauro Cesar Gonçalves Pereira (à esq.), principal testemunha das agressões que levaram à morte de Alice Martins Alves (à dir.), uma mulher trans, em Belo Horizonte | Fotos: Arquivo pessoal

A principal testemunha das agressões brutais que levaram uma mulher trans à morte, em 9 de novembro, em Belo Horizonte, revelou que tentou pagar uma dívida de R$ 22 — questão que havia sido apontada inicialmente como a motivação do crime. Em um primeiro momento, os homens aceitaram a proposta, mas depois desconversaram e saíram andando.

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A informação foi confirmada ao SBT News pela própria testemunha, o motoboy Lauro Cesar Gonçalves Pereira, de 32 anos. Ele conta que, em 23 de outubro, estava trabalhando quando passou pela Avenida Getúlio Vargas, no bairro da Savassi, e viu dois homens, funcionários de um estabelecimento do bairro, espancando Alice Martins Alves, de 33 anos.

Ao testemunhar as agressões, Pereira "não pensou duas vezes" antes de parar a moto e prestar socorro. Ele relata que Alice estava com o rosto ensanguentado, chorando muito e pedindo ajuda. O motoboy perguntou o motivo das agressões e, ao ser informado sobre a dívida, afirmou que estaria disposto a quitá-la.

"Eles disseram: 'Você vai pagar a dívida dela? Paga lá e morreu o assunto'. Respondi: 'Vamos lá pagar, então'", conta. "Eles começaram a me xingar e eu xinguei de volta. Depois desconversaram e saíram andando."

Após a discussão, Pereira ajudou Alice a se levantar e a levou para a calçada. Então, conversou com ela e tentou acalmá-la. Aos prantos, a mulher pediu ao motoboy que a levasse para casa, mas ele se recusou, insistindo que ela estava muito machucada e que deveria ir ao hospital.

Enquanto os dois conversavam, Pereira fez sinal a uma viatura que passava e os policiais pararam para prestar apoio. Eles fizeram algumas perguntas, liberaram o motoboy e chamaram o Samu para atender a ocorrência. Os agentes não solicitaram que ele prestasse depoimento nem ficaram com o contato dele para acioná-lo futuramente.

Apesar de o caso ter ocorrido em 23 de outubro, Pereira só foi ouvido na delegacia na terça-feira (25), depois que tomou conhecimento da morte de Alice por meio de uma publicação nas redes sociais de um repórter local. Ele comentou que havia testemunhado as agressões e, desde então, começou a ser procurado pela imprensa para dar entrevista.

A morte de Alice

Na noite do crime, Alice foi medicada e depois liberada. Segundo a irmã dela, Marina Félix, de 32 anos, que também conversou com o SBT News, foram muitas idas e vindas ao hospital nos 17 dias que transcorreram entre a agressão e a morte da irmã. Ela só ficou internada em seus dois últimos dias de vida, quando já era tarde para salvá-la.

Inicialmente, os médicos constataram que Alice havia tido quatro costelas e o nariz quebrados, mas o problema era muito maior do que se pensava. Ela teve também uma perfuração no intestino, que evoluiu para uma infecção generalizada e a levou à morte. Por ora, Marina preferiu não expor o nome do hospital para não atrapalhar as investigações.

Em 14 de novembro, a PCMG informou, em entrevista coletiva, que identificou os dois suspeitos acusados de agredir Alice. Até a publicação deste texto, ninguém havia sido preso. O SBT News perguntou à polícia sobre as últimas atualizações do caso, bem como por que Pereira não foi ouvido na noite das agressões, e aguarda retorno.

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