China incentiva compra de dólar para conter alta do yuan
Yuan atingiu nível mais alto em quase três anos frente à moeda americana


Exame.com
O Banco Popular da China (PBOC) decidiu facilitar a compra do dólar para conter a valorização do yuan, que vem pressionando a competitividade e a margem de empresas exportadoras.
Para isso, o banco central decidiu eliminar a exigência de reserva de risco de 20% sobre contratos de câmbio a termo, em uma mudança que passa a valer a partir de 2 de março de 2026.
A medida reduz o custo e torna menos desvantajoso apostar na alta do dólar frente ao yuan, ajudando a conter a valorização da moeda chinesa, segundo nota do Maybank divulgada pela Reuters.
Só que, na prática, analistas indicam que, embora o governo esteja tentando conter o avanço do yuan, a percepção é de que a moeda ainda tem espaço para se fortalecer.
A decisão não veio por acaso: o yuan atingiu na quinta-feira (26) 6,83 por dólar, seu nível mais alto em quase três anos frente à moeda americana.
Isso acabou virando uma dor de cabeça para as empresas chinesas que vendem para fora e recebem em dólar, e o impacto já aparece nos balanços, de acordo com fontes ouvidas pela Reuters.
A Beijing Ultrapower Software Co. reportou uma queda de 28% no lucro de 2025 e atribuiu o resultado à valorização cambial. Já a Suzhou Junchuang Auto Technologies registrou recuo de 31% nos lucros pelo mesmo motivo.
O movimento atingiu também empresas de tecnologia, incluindo a Ninebot, fabricante de robôs e veículos elétricos, que enfrenta pressão sobre os resultados com o fortalecimento da moeda local.
Efeitos ambíguos para a economia
Por um lado, uma moeda mais forte, a exemplo do avanço do yuan, poderia baratear importações e atrair capital estrangeiro, segundo analistas consultados pela Reuters.
Só que, por outro lado, há redução de competitividade para os exportadores, já que eles recebem em dólar e convertem essas receitas por uma taxa menos favorável.
Desde abril do ano passado, o yuan acumula valorização superior a 7% frente à moeda americana, impulsionado por fatores externos e internos.
As fontes indicam que a fraqueza global do dólar combinada com o bom desempenho das exportações chinesas têm sustentado a entrada de recursos no país.
Em janeiro, o superávit em divisas chegou a quase US$ 80 bilhões, refletindo o forte fluxo de dólares para a economia chinesa, conforme dados compilados pela agência.
Yuan se valorizou 'rápido demais'
O especialista da Orient Futures, Yuan Tao, afirmou à Reuters que o Banco Popular da China decidiu agir justamente porque o movimento da moeda havia sido "rápido demais".
O objetivo, na sua visão, era manter a taxa de câmbio em um nível considerado "razoável e equilibrado", evitando distorções que prejudicassem a economia real do país.
Gerente-geral do departamento de negócios do mercado financeiro do Grupo de Desenvolvimento Zheshang, Liu Yang avaliou, ainda, que a medida deve destravar uma demanda reprimida por dólares.
Algo que ajudaria a reequilibrar oferta e demanda no curto prazo: "o PBOC vê pouco risco de maior depreciação do yuan e ainda acredita que há espaço significativo para a valorização da moeda", disse Yang.
Já o economista da Economist Intelligence Unit, Xu Tianchen, vê que o yuan permanece resiliente mesmo em um cenário de estabilidade do dólar em outros mercados.









