Mundo

O plano da China para aproveitar o vácuo deixado pelos EUA

País investe em diversas áreas e tenta mudar balanço global de forças

Avatar de Exame.com
Exame.com
Montadora de carros elétricos na China: país avança em transição energética enquanto EUA suspendem estímulos na área | Leandro Fonseca/Exame

Montadora de carros elétricos na China: país avança em transição energética enquanto EUA suspendem estímulos na área | Leandro Fonseca/Exame

Desde a segunda metade do século 20, os Estados Unidos foram o principal defensor global do livre-comércio, da cooperação entre os países e de entidades internacionais. Em 2025, o presidente Donald Trump resolveu mudar tudo isso: retirou verbas da ONU, atacou fóruns como o Brics e impôs tarifas para quase todos os países.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

Com isso, a China se tornou uma das principais defensoras do multilateralismo, em um momento que busca ampliar sua força externa. "Trabalharemos duro para que a influência internacional [da China] seja mais forte", disse o Comitê Central do Partido Comunista da China, que comanda o país, em comunicado após sua reunião anual, em outubro. O comitê prepara um novo plano geral para a China, que será anunciado em março de 2026 e definirá a estratégia chinesa para os próximos cinco anos.

A China busca ocupar o vácuo de poder deixado pelos EUA, mas de modo mais discreto e pontual, como parte de uma estratégia maior. "Vemos a China em uma nova era de desenvolvimento, indo de alta velocidade para alta qualidade", diz Henry Huiyao Wang, ex-assessor do Conselho de Estado da China e presidente do think tank Center for China and Globalization (CCG).

A lista de áreas é ampla, e inclui avanços em inteligência artificial, conexões 5G e transição energética. O país lidera a produção de itens como painéis solares e carros elétricos, enquanto Trump retirou incentivos ao setor nos EUA.

O país asiático também ampliou cooperações de saúde na África, com o envio de médicos chineses para áreas pobres, em um momento em que os EUA encerraram a agência de apoio Usaid e se retiraram da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Reduzir uso do dólar

Há, ainda, uma campanha para reduzir a dependência do dólar. Nos primeiros nove meses de 2025, o yuan foi usado em 30% das transações comerciais da China, segundo o Banco Central chinês.

Em 2022, esse percentual era de 20%. A China também lançou uma Iniciativa Global de Governança, para criar regras para finanças, IA, clima e exploração espacial. "Neste momento de transição, não podemos deixar um vácuo no mundo. Temos de usar a influência positiva da China para expandir a cooperação econômica", diz Wang.

O avanço dos planos chineses, no entanto, depende do rumo que os EUA vão tomar e da situação da economia chinesa. Trump, não raro, muda de posição de forma brusca. Além disso, a China precisa resolver questões internas, como reforçar o consumo das famílias para reduzir a dependência das exportações.

"As políticas recentes foram eficazes em antecipar a demanda interna, mas o impacto está diminuindo e a confiança permanece baixa", diz Lynn Song, economista-chefe para a China do grupo financeiro ING. Os passos da China em 2026 ajudarão a definir como será a divisão de poder global pelas próximas décadas do século 21.

(Por Rafael Balago)

Leia mais

Ver tudo
Imagem da notícia: 'Não houve alerta', diz familiar de vítima na Tailândia

'Não houve alerta', diz familiar de vítima na Tailândia

Imagem da notícia: Plano preliminar de Tarcísio fala em prosperidade e 10 eixos

Plano preliminar de Tarcísio fala em prosperidade e 10 eixos

Imagem da notícia: Mulher é morta a facadas pelo ex na frente dos filhos em SP

Mulher é morta a facadas pelo ex na frente dos filhos em SP

Imagem da notícia: Bia Haddad anuncia pausa na carreira

Bia Haddad anuncia pausa na carreira

Imagem da notícia: 'Não houve alerta', diz familiar de vítima na Tailândia

'Não houve alerta', diz familiar de vítima na Tailândia

Imagem da notícia: Plano preliminar de Tarcísio fala em prosperidade e 10 eixos

Plano preliminar de Tarcísio fala em prosperidade e 10 eixos

Imagem da notícia: Mulher é morta a facadas pelo ex na frente dos filhos em SP

Mulher é morta a facadas pelo ex na frente dos filhos em SP

Imagem da notícia: Bia Haddad anuncia pausa na carreira

Bia Haddad anuncia pausa na carreira

Últimas notícias

Após reclamação de Janja, governo cobra medidas do Discord

Primeira-dama pediu a proibição do serviço no Brasil após uma adolescente de 13 anos tirar a própria vida durante uma transmissão na plataforma

Feto é encontrado no banheiro do Sírio-Libanês, em SP

Ocorrência foi registrada como morte suspeita pela Polícia Civil; feto tinha idade gestacional estimada entre oito e 12 semanas

Alertas de desmatamento na Amazônia caem ao menor patamar

Queda de 36,87% leva área sob alerta a 2.874 km², menor resultado registrado pelo Deter desde 2016

Mendonça dá 5 dias para PT detalhar gastos com congresso

Ministro deu 5 dias para Federação Brasil da Esperança apresentar gravações, contratos e documentos sobre o Congresso do PT e o projeto 'Porta-Vozes de Lula'

Trump diz que Congresso pode “acabar” com setor de IA

Presidente critica propostas de regulação da inteligência artificial nos EUA, enquanto NIST abre consulta sobre avaliação de sistemas

Incêndio causado por motosserra deixa um morto na Califórnia

Polícia prendeu homem de 65 anos após suspeita de que o fogo começou enquanto ele operava o equipamento, capaz de produzir faíscas