Cidades

Secretário do RJ sugere que criminosos tenham decapitado corpo: 'Quem disse que foi a polícia?'

Felipe Curi afirmou que bandidos podem ter feito 'novas lesões' nos corpos dos que morreram na operação 'Contenção' para chamar a atenção da imprensa

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Sofia Pilagallo, Murillo Otavio, com informações do SBT Rio
30/10/2025, 20:40 • Atualizado em 31/10/2025, 01:08
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O secretário de Polícia Civil do Rio de Janeiro, Felipe Curi, durante entrevista coletiva no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC) | Foto: Reprodução/SBT - 30.10.2025

O secretário de Polícia Civil do Rio de Janeiro, Felipe Curi, durante entrevista coletiva no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC) | Foto: Reprodução/SBT - 30.10.2025

O secretário de Polícia Civil do Rio de Janeiro, Felipe Curi, sugeriu que criminosos podem ter cortado a cabeça de um corpo que apareceu decapitado após a megaoperação que deixou mais de 100 mortos nos complexos do Alemão e da Penha, na terça-feira (28).

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Uma moradora que conversou com a equipe de jornalismo do SBT afirmou que "teve corpo com a cabeça decapitada" e também sem perna na área de mata no alto da Penha onde os moradores encontraram mais de 70 corpos.

"Quem disse que foi a polícia que cortou a cabeça? Os criminosos podem ter feito novas lesões nos corpos, podem ter feito isso aí [cortado a cabeça] para chamar a atenção da imprensa", disse Curi durante entrevista coletiva no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), nesta quinta-feira (30).

Curi acusou os moradores dos complexos de "vilipêndio de cadáver", uma vez que eles removeram os corpos da área de mata e os enfileiraram em uma praça. Ele alegou ainda que os moradores teriam usado carros roubados para transportar os cadáveres.

O secretário afirmou que a remoção dos corpos poderia ter causado novas lesões e que as origens destas serão apuradas na perícia, feita pela Polícia Civil e acompanhada pelo Ministério Público do RJ. Na quarta-feira (29), ele disse que abriria um inquérito para investigar a retirada dos corpos e falou em "fraude processual".

"A perícia é capaz de identificar se uma lesão foi produzida num corpo vivo ou morto. Quanto a isso, estamos bem tranquilos, porque a prova material é a que vai valer para que isso seja avaliado no que o foro é competente, que é a Justiça", declarou.

Com ao menos 121 mortos, segundo as forças de segurança do Rio, a operação "Contenção" já é considerada a mais letal da história do estado fluminense e do século 21, no Brasil. Em contraponto aos dados do governo do Rio, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) informou que ao menos 132 pessoas morreram.

De acordo com o governo do Rio, a operação teve como objetivo desarticular a estrutura do Comando Vermelho (CV), facção que domina territórios na capital fluminense. A Polícia Civil (PCERJ) informa que 113 pessoas foram presas até o momento. O governador Cláudio Castro (PL) classificou a ação como um "dia histórico no enfrentamento ao crime organizado".

A Defensoria Pública da União (DPU) e 29 entidades de direitos humanos repudiaram a operação, que chamaram de "uma matança produzida pelo Estado brasileiro", fruto de uma "política de extermínio travestida de combate ao crime". A Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou estar "horrorizada" com a ação e cobrou investigação rápida e transparente.

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