Reconhecimento facial e leitura de placas viram aliados contra invasões em condomínios de SP
Com aumento de roubos a prédios, moradores e síndicos investem em tecnologia para reforçar o controle de acesso
Juliana Tourinho
"Acesso liberado." A frase, antes comum em portarias tradicionais, agora é resultado de sistemas inteligentes que têm ganhado espaço em condomínios de São Paulo.
Em um prédio de alto padrão na zona sul da capital, a entrada de pedestres já é feita por reconhecimento facial. A moradora Giordana Zamboni afirma que a tecnologia trouxe mais tranquilidade para a rotina.
"Questões de senha, hoje em dia, qualquer pessoa pode ter acesso à senha, mas quando tem reconhecimento facial, eu me sinto mais segura. É mais tranquilo o prédio", diz.
Na garagem, o controle também é automatizado. O portão só abre depois que a câmera faz a leitura da placa do veículo e confirma a autorização. O processo ocorre em etapas para aumentar a segurança.
"Só vai liberar a clausura depois que o reconhecimento da placa funcionar. Aí o porteiro tem a certeza que é morador, aí ele libera a segunda porta", explica o técnico em segurança eletrônica Roberto Sacramento.
A procura por esse tipo de tecnologia cresceu junto com os casos de invasões a condomínios. Em uma empresa especializada em soluções para prédios, as vendas aumentaram 25%.
"Quando você quer chegar em casa, você quer ter um pouco mais de segurança, se sentir mais confortável ali. E as câmeras, o sistema de controle de acesso e até mesmo leitura de placa fazem com que a gente esteja mais confortável e tenha mais segurança no nosso lar", afirma André Esteves, gestor de projetos.
Dados da Secretaria da Segurança Pública mostram que, apenas no ano passado, o estado de São Paulo registrou 313 roubos a condomínios residenciais — média de um crime a cada 28 horas. Os casos mais recentes indicam que criminosos têm apostado principalmente no golpe do controle clonado.
Foi o que aconteceu em outro prédio da zona sul. Imagens do circuito de segurança flagraram o momento em que um carro com três suspeitos entra na garagem usando um controle adulterado, vinculado ao de um morador. Ao perceber a movimentação estranha, o porteiro travou a saída, mas os homens conseguiram fugir pulando o portão.
Para especialistas, a tecnologia é uma aliada importante, mas não suficiente sozinha. O treinamento de porteiros e funcionários é apontado como fundamental para identificar atitudes suspeitas e reagir rapidamente.
"A gente não pode normalizar não poder sair com o celular, aqui em São Paulo, nas mãos e ser assaltado. Isso não é normal. Então a gente realmente traz tecnologias para que possa melhorar a vida da população mesmo com segurança", afirma Nathalie Watanabe, CEO e fundadora de uma empresa do setor.
A recomendação é que condomínios combinem equipamentos modernos com protocolos rígidos de segurança — uma estratégia que pode ser decisiva para impedir novas invasões.









