Cidades

Polícia investiga mortes em série na UTI de hospital no DF; três são presos

Investigações apontam que técnico de enfermagem teria se aproveitado do login de médico no sistema do hospital para prescrever medicamento de forma irregular

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Marcos Nailton, Pedro Canguçu
19/01/2026, 14:17 • Atualizado em 20/01/2026, 03:11
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Três pessoas foram presas temporariamente, suspeitas de envolvimento em três homicídios ocorridos na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga, no Distrito Federal. As mortes aconteceram nos dias 17 de novembro e 1º de dezembro do ano passado. A investigação é conduzida pela Polícia Civil do Distrito Federal e corre sob segredo de Justiça. Por esse motivo, os nomes dos investigados não são divulgados.

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De acordo com a apuração, as suspeitas surgiram após a Comissão de Óbito do hospital identificar circunstâncias atípicas relacionadas às mortes de três pacientes internados na UTI. A partir disso, imagens das câmeras de segurança da unidade passaram a ser analisadas, o que revelou comportamento fora do padrão de técnicos de enfermagem que atuavam no setor.

Segundo a Polícia Civil, os três pacientes apresentaram piora clínica súbita e abrupta, incompatível com o quadro de saúde que possuíam antes dos episódios. Laudos do Instituto Médico Legal (IML) indicaram que as substâncias aplicadas tinham potencial para causar parada cardíaca e morte.

As investigações apontam que um técnico de enfermagem de 24 anos teria se aproveitado do login de um médico que estava aberto no sistema do hospital para prescrever um medicamento de forma irregular. Em seguida, ele retirou o produto na farmácia da unidade e o aplicou diretamente na veia dos pacientes, sem autorização da equipe médica.

Duas aplicações ocorreram no dia 17 de novembro, e a terceira, em 1º de dezembro. Em um dos casos, o técnico também teria injetado desinfetante diversas vezes em uma das vítimas, utilizando seringa.

Ainda segundo a polícia, o técnico contou com a conivência de duas técnicas de enfermagem, de 22 e 28 anos, que teriam auxiliado em dois dos crimes, estando presentes tanto na retirada do medicamento quanto no momento da aplicação. Inicialmente, os três negaram envolvimento, mas confessaram após serem confrontados com as imagens.

A primeira fase da operação foi deflagrada no dia 11 de janeiro, com o cumprimento de mandados de prisão temporária e três mandados de busca e apreensão em Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas de Goiás. Já a segunda fase, realizada no dia 15 de janeiro, resultou na apreensão de dispositivos eletrônicos em Ceilândia e Samambaia, que agora passam por análise pericial.

O que diz o hospital

Em nota, o Hospital Anchieta informou que, ao identificar irregularidades relacionadas aos óbitos na UTI, instaurou um comitê interno de investigação, que resultou na identificação de evidências envolvendo ex-funcionários. Com base nesse levantamento, a própria instituição solicitou a abertura de inquérito policial e a adoção das medidas cabíveis.

O hospital destacou ainda que os profissionais suspeitos foram demitidos, que as famílias das vítimas foram informadas e que a instituição está colaborando integralmente com as autoridades. O Hospital Anchieta afirmou também que o caso tramita em segredo de justiça e que, por isso, não pode divulgar detalhes adicionais.

A investigação segue em andamento. A Polícia Civil apura se há outros envolvidos e se casos semelhantes podem ter ocorrido em outros hospitais onde os investigados já trabalharam

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