Pai é acusado de desviar R$ 113 mil arrecadados para filho amputado após pneumonia
Dinheiro arrecadado em rifas e campanhas para tratamento de Noah, de 1 ano, teria sido gasto com apostas online, drogas e aluguel de carro
SBT Brasil
A Polícia Civil investiga um pai acusado de desviar R$ 113 mil arrecadados em campanhas solidárias para garantir o tratamento e o futuro do próprio filho, Noah Gabriel, de 1 ano. A criança perdeu braços e pernas após uma pneumonia agressiva. O dinheiro, segundo a investigação, foi gasto com apostas online, drogas e despesas pessoais.
A desconfiança da mãe, Mikaelle Christina Ferreira dos Santos, começou quando o pai da criança, João Victor, passou a se esquivar sempre que ela perguntava sobre os valores arrecadados. O momento decisivo ocorreu quando Mikaelle precisou do dinheiro e pediu que ele movimentasse a conta bancária.
"Eu estou revoltada, traída, porque é o pai que fez isso, não uma pessoa estranha", disse a mãe. "Eu quase desmaiei. Eu estava com o Noah, arrasada, sem saber o que fazer."
O valor seria destinado ao tratamento médico de Noah, incluindo próteses, fisioterapia e medicamentos. Parte do tratamento estava prevista para ocorrer em Campos do Jordão (SP), onde a criança passaria um período de reabilitação intensiva.
O Ministério Público pediu a prisão preventiva do pai, destacando a gravidade do crime e a ausência de empatia com o sofrimento do próprio filho.
"Nós pedimos a prisão preventiva do genitor por toda essa situação de desconsideração da criança. O dinheiro seria usado para próteses, fisioterapia e tratamentos essenciais", afirmou a promotora de Justiça Ilda Regina Reis.
Casos como esse acendem o alerta para o crescimento da dependência em jogos virtuais. O SUS lançou um observatório e serviços de apoio voltados a pessoas com compulsão por apostas online, integrando atendimento em saúde mental e mecanismos de autoexclusão das plataformas.
A iniciativa faz parte de um acordo entre os ministérios da Saúde e da Fazenda.
"Esse dinheiro era o futuro do meu filho", diz a mãe.
Sem os recursos e emocionalmente abalada, Mikaelle afirma que se apega à fé e à esperança de uma nova corrente de solidariedade.
"Um filho que não tem pé, não tem mão… esse dinheiro era para o futuro dele. Para tentar ser uma criança como as outras. Ele tem só um ano e nove meses e uma vida inteira pela frente."









