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São Paulo cria sistema para registrar violência contra a mulher no local da ocorrência

Medida do governo paulista quer facilitar denúncias e reduzir a subnotificação dos casos

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Aumento de feminicídios reflete resistência dos homens à autonomia feminina, diz doutora em estudos de gênero | Foto: Freepik

Deve ser iniciado ainda neste primeiro semestre de 2026 o novo sistema do governo que permite registrar casos de violência contra a mulher no próprio local da ocorrência. A medida foi criada pelo Governo de São Paulo para facilitar a denúncia e evitar que a vítima precise se deslocar até uma delegacia em um momento de fragilidade.

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Desse modo, quando a Polícia Militar for acionada pelo 190 para atender a uma ocorrência de violência doméstica, os próprios policiais já poderão fazer o registro do boletim ao lado da vítima, mediante autorização da mulher. Após realizado o B.O, o caso é enviado diretamente para uma Delegacia de Defesa da Mulher para que o inquérito policial seja instaurado.

A ideia é justamente pular etapas e reduzir barreiras para a denúncia. Segundo a Secretária Estadual de Políticas para Mulheres, Adriana Liporoni, muitas mulheres acabam desistindo de registrar o crime depois que a situação de emergência passa, seja por medo, vergonha ou choque. Com o registro imediato, aumenta a chance de que esse crime seja formalizado e investigado. “É muito importante a denúncia da mulher, porque o feminicídio é o ápice de uma escalada de violências que, muitas vezes, vem acontecendo dentro de uma relação e que não são denunciadas”, afirma.

A iniciativa reforça a rede de proteção num cenário preocupante: só em 2025, foram registradas 1.568 vítimas de feminicídio no país, um aumento de quase 5% em relação ao ano anterior.

A maioria desses crimes acontece dentro da própria casa, com 66% dos casos, como mostram os dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Os números revelam ainda que oito em cada 10 casos de feminicídio são cometidos por parceiros ou ex-parceiros das vítimas.

Em janeiro, o estado de São Paulo bateu um recorde negativo: 27 feminicídios foram registrados, o maior número de casos desde 2018, quando o crime começou a ser contabilizado pela Secretaria de Segurança Pública.

Para a secretária Adriana Liporoni, o sistema é mais uma ferramenta que vai incentivar as mulheres a realizar as denúncias. “O Fórum Brasileiro divulgou um dado importante dizendo que em 13% dos feminicídios ocorridos em São Paulo, as mulheres tinham medida protetiva de urgência decretada. Mas, e os 87% dos casos? As mulheres, ou não tinham medidas protetivas, ou não tinham, nem sequer, um boletim de ocorrência”, ressalta.

O estado também conta com o aplicativo SP Mulher Segura, que reúne serviços de apoio. Pelo app é possível localizar as delegacias da mulher, hoje são 143 no estado, sendo 18 com atendimento 24 horas. Também é possível registrar ocorrências online e até solicitar medida protetiva.

O aplicativo também tem o botão SOS, conhecido como botão do pânico, para pedir ajuda em situações de risco.

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