Itamaraty revoga visto de assessor de Trump por omissão e fraude de informações
Darren Beattie viria ao Brasil na semana que vem; enviado dos EUA alegou agendas com o governo brasileiro, mas encontros não foram solicitados


Hariane Bittencourt
O Ministério das Relações Exteriores (MRE) revogou o visto do assessor do governo dos Estados Unidos, Darren Beattie, "considerando a omissão e falseamento de informações relevantes quanto ao motivo da visita por ocasião da solicitação do visto, em Washington", disse o Palácio do Itamaraty ao SBT News.
Na prática, o assessor está impedido de viajar ao Brasil na semana que vem, como estava previsto pela Casa Branca.
Segundo o governo brasileiro, trata-se de um princípio legal suficiente para a denegação de visto, de acordo com a legislação nacional e internacional.
Beattie foi considerado inelegível porque tentou receber um visto deturpando propositalmente um fato relevante ou cometendo fraude. A inelegibilidade é permanente. Isso quer dizer que, toda vez que o assessor solicitar um visto para entrar no país, ele será considerado inelegível.
Documento enviado pelo ministro Mauro Vieira, das Relações Exteriores, ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), informava que o visto de entrada de Beattie havia sido concedido com base no pedido encaminhado na última sexta-feira (6) pelo Departamento de Estado ao Consulado‑Geral do Brasil em Washington.
Na comunicação oficial, o governo americano informou que o assessor viajaria ao Brasil "para uma conferência sobre minerais críticos e para reuniões oficiais com representantes do governo brasileiro".
Ocorre que Beattie não pediu reuniões formais com o governo Lula (PT), tendo feito somente uma sondagem sobre eventuais datas por canais não oficiais.
Ele pediu, no entanto, para se encontrar com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na Papudinha, o que foi negado por Moraes após o recebimento das informações do Itamaraty.
Na quinta-feira (12), antes da revogação do visto, um oficial do Departamento de Estado disse ao SBT News que Beattie viria ao Brasil para promover interesses nacionais dos EUA.
"O conselheiro sênior para Brasil no Departamento de Estado dos EUA e alto funcionário do Departamento de Assuntos Educacionais e Culturais, Darren Beattie, viajará em breve ao Brasil para promover agenda de política externa America First", afirmou.
Mais cedo, nesta sexta-feira (13), o presidente Lula disse que proibiu a vinda de Beattie ao Brasil e que a medida persistiria enquanto o visto do ministro americano da Saúde, Alexandre Padilha, não for regularizado pelos Estados Unidos.
"Aquele cara americano que disse que vinha para cá visitar o Jair Bolsonaro foi proibido de visitar, e eu proibi de vir ao Brasil enquanto não liberar o visto do meu ministro da Saúde que está bloqueado. Então, Padilha, sabe que você está sendo protegido", afirmou o petista durante a inauguração de uma ala no Hospital Federal do Andaraí, no Rio de Janeiro.









