CNI critica Selic em 14,5% e diz que juros altos travam economia
Mesmo com corte de 0,25% na taxa, Confederação da Indústria diz que juros ainda altos reduzem investimentos e aumentam endividamento de famílias e empresas

Antonio Souza
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) criticou, nesta quarta-feira (29), a decisão do Banco Central do Brasil, por meio do Copom, de reduzir a taxa básica de juros para 14,5% ao ano. Para a entidade, o nível ainda é considerado elevado e prejudica o crescimento econômico do país.
Segundo o presidente da CNI, Ricardo Alban, o custo do crédito segue em patamar “proibitivo”, dificultando novos investimentos e reduzindo a competitividade da indústria brasileira.
Juros altos pressionam empresas e consumidores
De acordo com a entidade, a manutenção de juros elevados impacta diretamente o endividamento de empresas e famílias, que vem crescendo mês a mês.
A CNI aponta que o cenário atual contribui para o aumento da inadimplência. Dados do Banco Central divulgados na última segunda-feira (27) mostram que o endividamento das famílias brasileiras chegou a 49,9% em fevereiro.
Para os consumidores, juros altos significam menor poder de compra, o que reduz o consumo e desacelera a economia.
“Com juros altos, fica mais difícil investir e crescer. Ao mesmo tempo, empresas e famílias estão cada vez mais endividadas, o que enfraquece a economia”, afirma Ricardo Alban, presidente da CNI.
Inflação abre espaço para novos cortes, diz CNI
A entidade avalia que o cenário inflacionário está sob controle. A projeção é de que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) feche 2026 dentro da meta do governo, cujo teto é de 4,5%.
Segundo a CNI, isso abriria espaço para cortes mais agressivos na taxa de juros sem comprometer o controle da inflação.
Com base na chamada Regra de Taylor, modelo econômico que indica o nível ideal de juros, a entidade estima que a Selic deveria estar em cerca de 11,1% ao ano.
A diferença de 3,4 pontos percentuais em relação ao nível atual indicaria, na visão da CNI, margem para novas reduções nas próximas reuniões do Copom.








