Endividamento das famílias sobe para 49,9% em fevereiro, aponta Banco Central
Dados mostram aumento do comprometimento da renda e da inadimplência em 12 meses; juros do cartão de crédito seguem como principal fator de pressão

Warley Júnior
O endividamento das famílias brasileiras atingiu 49,9% em fevereiro, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (27) pelo Banco Central (BC), por meio das Estatísticas Monetárias e de Crédito.
Além da alta no endividamento, o levantamento aponta que o comprometimento da renda das famílias chegou a 29,7%, com aumento de 0,2 ponto percentual (p.p) no mês e de 1,9 p.p em 12 meses.
Um levantamento da LCA Consultoria Econômica, encomendado pelo Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IJBR), divulgado no início do mês, aponta que os principais fatores do endividamento das famílias são os juros elevados, especialmente no rotativo do cartão de crédito. A inadimplência nessa modalidade chegou a 64,5% em dezembro do ano passado, com taxas que superam 400% ao ano.
Outras linhas, como o cartão parcelado (13,1%), o cheque especial (14,6%) e o crédito pessoal não consignado (8,4%), também apresentam níveis relevantes de inadimplência, mas com impacto menor no quadro geral.
O tema está no radar do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que avalia medidas para aliviar o endividamento das famílias. Entre as propostas em estudo está a liberação de parte do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para refinanciamento de dívidas, além de mecanismos para evitar novos débitos após a renegociação. A iniciativa pode integrar uma segunda fase do programa Desenrola.









