Operação no Rio prende seis suspeitos e aponta aliança entre facções criminosas
Polícia investiga união entre grupos para expandir território e explorar moradores na zona oeste do Rio de Janeiro
SBT Brasil
Seis suspeitos foram presos em uma operação de combate ao crime organizado, no Rio de Janeiro. Segundo a polícia, a facção Amigo dos Amigos (ADA) se uniu ao Comando Vermelho (CV) para expandir o território ocupado e explorar moradores reféns da violência no Jardim Novo, na zona oeste, alvo da operação das polícias Civil e Militar. A comunidade é controlada pela facção ADA.
Os agentes encontraram uma área de lazer com piscina, churrasqueira e mesa de jogos. O espaço deveria ser usado pelos moradores, mas virou uma base dos bandidos. O “lugar de paz”, descrito no muro, era onde, segundo a polícia, os traficantes faziam reuniões e cometiam crimes.
“Oprimem essas pessoas e tomam, roubam, furtam as casas dos moradores, estupram crianças, estupram adolescentes, estupram as meninas que querem namorar e a população não pode fazer nada”, afirma o delegado Fábio Saladoretti.
A operação tinha como objetivo cumprir 24 mandados de prisão. Seis suspeitos foram presos. Um dos alvos era Lucas Apostólico da Conceição, conhecido como Índio, que permanece foragido. Ele é apontado como o chefe do tráfico na comunidade. A polícia identificou uma aliança entre a facção dele, a ADA, e o Comando Vermelho.
Depois de 10 meses, a investigação concluiu que o acordo tinha o objetivo de transformar a área em uma das principais rotas para o avanço das duas facções criminosas na zona oeste do Rio. Essa é a região da cidade que, atualmente, mais sofre com a disputa de territórios por traficantes e milicianos.
“Questão estratégica entre eles mesmo, de se fortalecerem. Fizeram essa aliança por saber que ali é, estrategicamente falando, do ponto de vista geográfico, muito importante para o Comando Vermelho”, explica o delegado Flávio Rodrigues.
A união pretendia também fortalecer as finanças dos criminosos, uma prática cada vez mais comum, segundo especialista em segurança pública.
“Um esquema de fazer ‘olha, eu vou explorar daqui pra lá, só as minhas empresas que vão extorquir a população com gás, com gatonet, com entrega de água. Não são só esses serviços, né? Qualquer pessoa que tem um comércio ali tem que pagar uma taxa, imposto, pro líder da facção local’”, afirma o especialista Fernando Montenegro.









