Médico de celebridades é alvo de operação da PF que mira fabricação ilegal de Mounjaro
Polícia também sequestrou veículos de luxo pertencentes aos investigados na ação



Marcos Guedes
Guilherme Seto
O médico e empresário Derek Camargo, conhecido por parcerias com celebridades para divulgação de métodos de emagrecimento, foi um dos alvos de operação da Polícia Federal nesta sexta-feira (10), em São Paulo.
O objetivo da Operação Slim 2 é desarticular organização criminosa dedicada à importação e à fabricação irregular de substância medicamentosa à base de tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro.
Segundo a Polícia Federal, foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão, sendo três na cidade de São Paulo e um em Florianópolis.
As medidas judiciais também incluíram o sequestro de veículos pertencentes aos investigados. O médico já foi visto dirigindo um dos veículos apreendidos, uma Ferrari Purosangue.
Os perfis de Derek Camargo nas redes sociais foram desativados nesta sexta. A reportagem do SBT News o procurou por mensagem de celular, mas não teve resposta até o momento.
O médico é cofundador da empresa Unikka Pharma, uma farmacêutica brasileira de manipulação focada em injetáveis e emagrecimento.
Primeira fase
Em novembro de 2025, a Unikka Pharma foi alvo da primeira fase da Operação Slim, que cumpriu 24 mandados de busca e apreensão com o mesmo objetivo: desarticular profissionais da saúde, clínicas e laboratórios que estavam produzindo remédios para emagrecimento ilegalmente.
Na ocasião, o inquérito da Polícia Federal apontou que os produtos para emagrecimento eram vendidos sem controles mínimos de qualidade e sem licença da Anvisa, colocando os consumidores em risco.
À época, os advogados da empresa disseram que ela nunca vendeu “falso Mounjaro” e que só atende clínicas e médicos, sem comercialização direta ao público geral.
Depois dessa primeira fase, a empresa NR Sports, que gerencia a carreira do jogador Neymar, anunciou a suspensão de contrato de publicidade que tinha com a Unikka Pharma.
Manipulação clandestina

Em julho de 2024, no meio de uma disputa judicial a respeito da compra de cotas da LCA Farmacêutica (empresa à qual a Unikka é ligada), a Coordenadoria de Vigilância em Saúde (Covisa) interditou a empresa após identificar irregularidades sanitárias.
Documentos obtidos pelo SBT News mostram que a empresa foi acusada de manipulação e comercialização de forma clandestina de medicamentos de grandes farmacêuticas, então detentoras das patentes de canetas emagrecedoras.
Uma ata de reunião com a Covisa revela que a empresa manipulou e comercializou os ativos semaglutida (princípio ativo do Ozempic) e tirzepatida sem garantias de pureza, segurança ou eficácia, em desacordo com as normas das fabricantes.
O estabelecimento chegou a ser interditado e a empresa foi imediatamente proibida de manipular e comercializar fórmulas com essas substâncias desde então. A reunião também apontou falhas nas áreas de controle de qualidade da farmácia.
O processo sobre a compra das cotas foi encerrado em outubro de 2025, após desistência do autor.
Defesa
Em nota, o advogado Daniel Leon Bialski, que representa Camargo, afirma que "a operação é abusiva e arbitrária" e que irá apresentar "todos recursos para que os tribunais assim reconheçam o quanto antes".











