Polícia

MP conclui que Cão Orelha não morreu por agressão de adolescentes e pede arquivamento do caso

Órgão aponta que adolescente acusado como responsável pelo crime não esteve com o animal no período em que a suposta agressão teria ocorrido

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Batizada de “Justiça por Orelha”, decreto faz referência à morte do cão comunitário Orelha | Reprodução

O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) concluiu que o Cão Orelha não morreu devido a uma agressão, mas sim em razão de uma condição grave e preexistente, e pediu o arquivamento do caso. O episódio de violência ocorreu em janeiro, na Praia Brava, em Florianópolis (SC), e provocou comoção nacional pela brutalidade.

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Segundo a manifestação do MP, os quatro adolescentes acusados de agredir Orelha não estiveram juntos na praia no período da suposta agressão. O documento confirma a hipótese de "descompasso temporal" nas imagens, o que, de acordo com o órgão, já havia sido levantado pela Polícia Científica.

A manifestação, de 170 páginas, foi assinada por três Promotorias de Justiça e protocolada perante o Juízo de Direito da Vara da Infância e da Juventude da Comarca da Capital na última sexta-feira (8). De acordo com o MP, a conclusão decorre da análise de quase dois mil arquivos digitais, entre fotos, vídeos, dados de celulares apreendidos e relatos de testemunhas.

Relatórios da investigação policial sustentavam que Orelha e o adolescente apontado como responsável pela agressão teriam permanecido simultaneamente na praia por cerca de 40 minutos. A "reanálise detalhada" do material, contudo, revelou "inconsistências temporais" que modificaram essa narrativa.

A autoridade policial reconstruiu a linha do tempo a partir de imagens do sistema público de monitoramento Bem-Te-Vi e de registros de câmeras privadas. A comparação desses diferentes sistemas evidenciou uma defasagem de aproximadamente 30 minutos entre os horários registrados, o que seria perceptível a partir das condições de luminosidade solar.

As imagens analisadas pela perícia também mostraram que Orelha ainda conseguia se movimentar normalmente quase uma hora depois do horário em que teria ocorrido a suposta agressão. Isso enfraqueceu a hipótese de que ele já teria saído da praia debilitado por supostos maus-tratos recentes.

Outro elemento levado em conta na conclusão do MP são laudos técnicos e o depoimento do veterinário que atendeu Orelha. A conclusão foi a de que não havia provas de maus-tratos e que o animal sofria de um problema de saúde grave (osteomielite, uma infecção óssea grave e crônica), que levou à decisão pela eutanásia.

Um terceiro e último elemento destacado pelas Promotoras de Justiça foi a ausência de testemunhas que confirmassem a agressão e relatos vagos, contendo expressões como "ouvi dizer" e "vi nas redes sociais". Para as Promotorias, a circulação dessas versões sem comprovação contribuiu para que uma autoria fosse apontada de forma precipitada.

A notícia sobre o arquivamento do caso vem gerando revolta nas redes sociais. No X, usuários criticaram a decisão do MP e cobraram punição aos responsáveis.

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