Cidades

Ministério Público decide arquivar denúncia de Gritzbach contra ex-diretor do Deic

Promotores concluíram que advogado ficou com dinheiro que, segundo delator, seria destinado a autoridades para supostamente barrar investigações

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Fabio Diamante, Robinson Cerantula
30/07/2025, 00:05 • Atualizado em 30/07/2025, 01:55
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O Ministério Público de São Paulo decidiu arquivar a denúncia contra o ex-diretor do Departamento de Investigações Criminais (Deic) Fábio Pinheiro Lopes, citado na delação feita pelo empresário Antônio Vinícius Gritzbach. Essa foi a primeira denúncia feita por Gritzbach ao Ministério Público paulista a ser arquivada.

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A decisão, assinada por seis promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), concluiu que não há "justa causa" para instaurar uma investigação contra Fábio Pinheiro Lopes e o delegado Murilo Fonseca Roque, de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo.

Ambos chegaram a ser afastados dos cargos por ordem do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Segundo os promotores, crimes como exploração de prestígio ou até estelionato podem ter sido cometidos pelo advogado Ramsés Gonçalves, que atuou na defesa de Gritzbach.

O delator foi assassinado em novembro do ano passado no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. Antes disso, ele havia feito acusações contra os dois delegados e também contra o deputado estadual Antônio de Olim (PP). Gritzbach disse que pagou R$ 4,2 milhões ao advogado Ramsés para que o valor fosse repassado aos policiais e ao deputado, com o objetivo de barrar investigações contra ele. O Tribunal de Justiça já havia determinado o arquivamento da denúncia envolvendo o deputado Olim.

O delator entregou aos promotores prints de conversas com o advogado Ramsés. Para o Gaeco, esse material comprova que o único interlocutor na suposta corrupção era o advogado, que efetivamente recebeu o dinheiro.

Por determinação do Gaeco, a Polícia Civil instaurou um novo inquérito contra o ex-advogado de Gritzbach na Delegacia de Estelionato. Ele também é investigado em outro inquérito policial e responde a um processo na Justiça por crime de estelionato. Nesse processo anterior, o ex-advogado não foi localizado em nenhum dos endereços conhecidos, não apresentou defesa, nem nomeou um defensor.

Procurado pelo SBT, o advogado respondeu por mensagem apenas que "não tem nada a comentar".

O delegado Murilo Fonseca Roque disse que a falsa acusação "destruiu" a vida dele e de familiares. E que ele tenta se reerguer. O policial afirmou ainda que não comentaria o arquivamento.

O ex-diretor do Deic Fabio Pinheiro enviou uma nota em que reitera que sempre negou as acusações. Leia a íntegra:

"A conclusão do procedimento investigativo confirma o que sempre foi sustentado por mim, no sentido de que as alegações envolvendo meu nome eram totalmente falsas. A decisão de ARQUIVAMENTO, promovida por nada menos que seis Promotores de Justiça do GAECO, restabelece minha reputação, afetada por publicações precipitadas que não apenas feriram minha honra, como também pretenderam injustamente manchar minha trajetória pessoal e profissional, construídas com esforço, ética e responsabilidade durante mais de trinta e três anos como Delegado de Polícia."

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