Cidades

Lincoln Gakiya diz que ele e coordenador de presídios estão em lista de jurados de morte "há anos"

Promotor do Gaeco de Presidente Prudente (SP) falou sobre operação que frustrou plano de facção criminosa para matar ele e Roberto Medina

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Emanuelle Menezes, Yuri Macri
24/10/2025, 15:57 • Atualizado em 24/10/2025, 16:24
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O promotor de Justiça Lincoln Gakiya disse nesta sexta-feira (24) que ele e o coordenador de presídios Roberto Medina, responsável por penitenciárias da Região Oeste de São Paulo, são jurados de morte pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) "há anos". Uma operação, realizada na manhã de hoje, frustrou um plano de atentado contra os dois.

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Gakiya, que atua no Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público de São Paulo (Gaeco-MPSP) de Presidente Prudente, no interior do estado, investiga a facção desde 2004 e vive sob escolta policial há mais de uma década devido a constantes ameaças. Já Medina está em alerta desde 2018, quando cartas que falavam sobre a morte dele foram interceptadas em Presidente Venceslau (SP).

Os nomes dos dois, segundo o promotor, circulam em listas de autoridades a serem mortas por integrantes do PCC.

"Havia uma lista aqui no estado, do PCC, de autoridades a serem mortas: o Ruy Fontes, que foi um dos precursores na investigação do PCC, eu que já estou há mais de duas décadas, o Roberto Medina que está há três décadas trabalhando também contra o crime organizado, diretor das principais unidades prisionais do estado de São Paulo", disse Gakiya.

O promotor afirmou que, após a morte do ex-delegado geral de São Paulo, foi informado do planejamento de atentados contra ele e Medina. Existe a suspeita de que o plano descoberto está relacionado à morte de Fontes.

"As imagens [do monitoramento de Gakiya e Medina] eram de junho e julho, mais ou menos na mesma época que foi feito o levantamento do Dr. Ruy Ferraz Fontes antes dele ser assassinado", destacou.
Lincoln Gakiya e Roberto Medina | Reprodução
Lincoln Gakiya e Roberto Medina | Reprodução

Operação Recon

Deflagrada na região de Presidente Prudente, no interior do estado, a Operação Recon frustrou um plano de atentado contra Lincoln Gakiya e Roberto Medina. A ordem teria partido do Primeiro Comando da Capital (PCC).

De acordo com as investigações, que são coordenadas pela 1ª Delegacia de Investigações Gerais (DIG) e pela Unidade de Inteligência do Deinter-8, os criminosos já haviam mapeado e acompanhado os hábitos diários dos dois, com cada integrante do grupo tendo funções específicas, sem acesso ao plano completo, o que dificultava a identificação da estrutura pela polícia.

Gakiya afirmou que o levantamento feito foi "extremamente detalhado". "Eram basicamente dois núcleos, um acompanhando o Dr. Roberto Medina e o outro acompanhando a minha rotina para o trabalho, o Ministério Público, para academia. Eram dois núcleos, mas ligados entre si", disse.

O plano foi descoberto após a prisão de dois homens envolvidos com o tráfico de drogas em Presidente Prudente: Victor Hugo da Silva, o "VH", e Welisson Rodrigo Bispo de Almeida, o "Corinthinha". Nos celulares dos dois, a polícia encontrou detalhes do monitoramento de Roberto Medina e da esposa dele, como fotos e vídeos do trajeto feito pelos dois de casa até o trabalho.

No celular de "Corinthinha", a investigação ainda encontrou pesquisas relacionadas a veículos tipo SUV, "com insulfilm totalmente fechado". Os investigadores destacam que o modelo de carro já foi usado em diversos atentados contra autoridades.

Outro envolvido na ação foi identificado como Sérgio Garcia da Silva, o Messi. No aparelho celular dele, que foi preso em setembro, também por tráfico, havia conversas que indicavam o envolvimento dele no monitoramento de Gakiya.

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