Falsos policiais: operação prende quadrilha que se passava por autoridades
Grupo era dividido em núcleos e enganava vítimas com pressão psicológica; polícia cumpriu mandados em São Paulo


Derick Toda
Pedro Canguçu
Agentes do Distrito Federal e do Garra, do Departamento de Operações Policiais Estratégicas (Dope), em São Paulo, cumpriram dois mandados de prisão e três de busca e apreensão contra uma quadrilha que se passava por policiais civis para aplicar golpes em todo o Brasil.
Segundo o delegado Rafael Catunda, o núcleo produzia documentos falsos que davam aparência de legalidade às abordagens feitas pelo grupo. Esse material era fundamental para convencer as vítimas de que estavam lidando com autoridades policiais.
Na sequência, os documentos falsos eram repassados ao núcleo de operadores, que aplicava os golpes. O dinheiro obtido das vítimas era encaminhado ao núcleo financeiro, responsável por lavar o capital por meio de criptomoedas. A investigação começou em agosto do ano passado, após uma vítima sofrer pressão psicológica sob o pretexto de colaborar com a polícia e transferir R$ 250 mil aos golpistas.
Como criminosos agiam
De acordo com o delegado Rafael Catunda, a quadrilha usava técnicas de intimidação e pressão emocional para forçar as vítimas a realizar os pagamentos, sempre alegando que se tratava de uma colaboração com investigações policiais.
Ao longo de vários dias, a vítima era submetida a intensa pressão psicológica e orientada a não procurar advogados, familiares ou outros órgãos policiais, segundo investigação conduzida pela 8ª Delegacia de Polícia do Distrito Federal (PCDF). Os suspeitos alegavam que qualquer tentativa de comunicação externa poderia resultar em prisão preventiva ou agravamento da situação, caracterizando um sequestro psicológico.
A retirada do dinheiro ocorria sob o falso argumento de cumprimento de medidas cautelares. As vítimas eram induzidas a realizar transferências bancárias, principalmente via Pix, para contas indicadas pelos criminosos, sob justificativas como "regularização", "garantia patrimonial" ou "comprovação de colaboração com a investigação". As exigências financeiras eram reiteradas e acompanhadas de novas ameaças.
Agentes civis foram até um condomínio no bairro do Cambuci, na região central de São Paulo, para prender o principal alvo da operação: a esposa do líder da quadrilha, que se passava por delegada da Polícia do DF.
O segundo suspeito foi preso no bairro da Liberdade. Conforme a investigação, o chinês é familiar da delegada, e do líder da quadrilha, que já foi preso por policiais do Rio Grande do Sul. Ele também era responsável por falsificar documentos usados no esquema criminoso.
Durante a operação, celulares, computadores, HDs, milhares de chips e outros materiais foram apreendidos. Todo o material será analisado para identificar o restante da quadrilha e possíveis novas vítimas. A polícia alerta que nunca cobra por investigações e orienta a população a desconfiar de qualquer pedido de dinheiro feito em nome de autoridades policiais.
O delegado Tom Blummer reforçou a importância de não cair em golpes e de procurar imediatamente a polícia em casos de suspeita.
Os suspeitos respondem pelos crimes de extorsão, associação criminosa e lavagem de dinheiro. As investigações continuam para identificar outras vítimas e possíveis novos integrantes do esquema.






