Falsos entregadores usam motos para cometer roubos e expõem falhas na fiscalização em São Paulo
Criminosos se passam por motoboys para assaltar vítimas; lei com regras mais rígidas existe há quase um ano, mas aplicação ainda é limitada
SBT Brasil
Com motocicleta, capacete e mochila nas costas, eles aparentam ser entregadores de aplicativo. Na prática, no entanto, agem como ladrões em busca de vítimas, aproveitando qualquer momento de descuido para cometer roubos. Segundo a Polícia Militar, uma parcela significativa dos assaltos registrados em São Paulo é praticada por suspeitos em motocicletas. Há quase um ano, o governo estadual sancionou uma lei que estabelece regras mais rígidas para o serviço de entregas, mas, na prática, os resultados ainda são limitados.
Bairros tradicionais de classe média, antes considerados tranquilos, também passaram a conviver com esse tipo de crime. Na Lapa, zona oeste da capital, cercas elétricas, câmeras e vigilantes se tornaram parte da paisagem. Ainda assim, moradores relatam sensação constante de insegurança.
Na região, a jornalista Maria Prata e a filha, de cinco anos, foram abordadas por um criminoso que se aproximou de moto enquanto caminhavam pela calçada. O suspeito usava mochila semelhante à de entregadores de aplicativo.
Em outro flagrante recente, uma idosa mexia no celular quando um homem subiu a calçada com uma motocicleta e arrancou o aparelho de sua mão. O caso ocorreu nesta semana, na zona norte da capital paulista.
A legislação em vigor determina que mochilas e baús utilizados por entregadores tenham identificação específica, com QR Code e chip de validação, permitindo verificar em tempo real o vínculo do profissional com a empresa contratante.
Para o especialista em segurança pública Fernando Capano, a efetividade da lei depende da colaboração das plataformas de entrega. Segundo ele, é necessário que as empresas compartilhem bases de dados para auxiliar o trabalho das forças de segurança na identificação de motociclistas e entregadores regulares.
Na capital paulista, operações de fiscalização têm buscado coibir a atuação dos falsos entregadores. Segundo o tenente Oliveira Martins, da Polícia Militar, as abordagens verificam se o condutor exerce atividade remunerada por aplicativos. Segundo o oficial, já foram registradas situações em que a mochila estava vazia, o aplicativo desligado e até casos de porte de arma.
Entregadores que atuam de forma regular relatam constrangimento diante da desconfiança generalizada. Jorge Menezes, que trabalha no setor, afirma que profissionais corretos acabam sendo penalizados pela ação de criminosos. Naftally Mariano reforça que a maioria atua de maneira honesta e defende maior valorização da categoria.









