Cidades

Entregador morto por GCM em Moema fazia entregas para comprar presente para a filha

Douglas Zwak, 39, fazia entregas para complementar renda; GCM que atirou já tinha histórico de tentativa de homicídio e abuso de autoridade

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Vicklin Moraes
11/04/2026, 20:23 • Atualizado em 11/04/2026, 21:41
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Douglas Renato Scheefer Zwak, de 39 anos, morto por um Guarda Civil Metropolitano (GCM) na noite desta sexta-feira (10), em Moema, zona sul de São Paulo, tinha um segundo emprego. Segundo a família, ele fazia entregas em uma bicicleta elétrica para comprar um presente para a filha de 10 anos.

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Em entrevista ao jornalismo do SBT, a viúva Natali Souza relatou a rotina de dedicação de Douglas à família. Segundo ela, Douglas conciliava um emprego formal durante o dia com as entregas noturnas.

"Ele nunca mexeu com nada errado. É um absurdo uma pessoa que se diz profissional dizer que deu um tiro sem querer. Para ele, foi sem querer; para a gente, é uma dor. Minha filha está devastada. Como vou explicar para ela confiar na segurança pública?"

Natali relembrou os últimos momentos de contato com o marido. "A última ligação foi às 19h, uma chamada de vídeo. Ele falou que estava voltando, que ia desligar o aplicativo porque estava trabalhando desde cedo e estava cansado. Disse: 'Estou indo para casa, não faz janta porque hoje é sexta e vou levar pizza'. A pizza nunca chegou", lamenta.

A família só soube do ocorrido por meio de reportagens, após horas de buscas desesperadas. "Estou desde as 5h da manhã indo em hospitais e delegacias, e ninguém achava o registro dele em lugar nenhum. Passou um milhão de coisas na minha cabeça, mas nunca o que aconteceu de fato."

O boletim de ocorrência relata que a viatura da GCM fazia patrulhamento em Moema para apurar furtos de celulares cometidos por ciclistas. Os agentes afirmaram ter visto um "indivíduo em bicicleta elétrica, encapuzado, do qual duas moças pareciam fugir".

Na tentativa de abordagem, os guardas emparelharam a viatura com a bicicleta e abriram a porta do veículo em movimento, derrubando Douglas. Foi nesse momento que o agente Reginaldo Alves Feitosa efetuou o disparo. O tiro, descrito como "acidental" no registro policial, atingiu as costas da vítima.

Inicialmente, a equipe da GCM informou que o homem havia sofrido um acidente seguido de mal súbito. Apenas com a chegada do resgate e a retirada das roupas é que o ferimento por arma de fogo foi constatado. Douglas não estava armado e o relatório não confirmou a posse de qualquer objeto ilícito.

O guarda Reginaldo Alves Feitosa já havia sido preso em flagrante em 2003 por tentativa de homicídio, respondendo ao processo em liberdade. Em 2009, foi investigado por constrangimento ilegal, abuso de autoridade e discriminação contra pessoa idosa. Todos os casos anteriores foram arquivados. Já a vítima, Douglas, não possuía antecedentes criminais.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou que o caso foi registrado como homicídio culposo (sem intenção de matar) e que o agente foi liberado após o pagamento de fiança de R$ 2 mil. A Secretaria Municipal de Segurança Urbana (SMSU) confirmou o afastamento do guarda das funções operacionais e a abertura de um processo administrativo.

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