Caso Henry: Leniel Borel critica soltura de Monique Medeiros
Ao SBT News, pai de Henry diz estar “revoltado” com perdão judicial; defesa nega agressão da mãe

O pai de Henry Borel, Leniel Borel, criticou o perdão judicial concedido a Monique Medeiros, mãe do menino, após o julgamento sobre a morte da criança. Em entrevista a Raquel Landim, no Poder Expresso, do SBT News, ele disse estar “revoltado” e “perplexo” com a decisão que levou à soltura de Monique.
Henry morreu em 8 de março de 2021, aos quatro anos, no apartamento onde morava com a mãe e o padrasto, Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. O menino chegou a ser levado a um hospital particular, mas laudo do Instituto Médico-Legal apontou 23 lesões por ação violenta.
Jairinho foi condenado a 43 anos, nove meses e 20 dias de prisão por homicídio duplamente qualificado, tortura e coação. Já Monique teve a acusação de homicídio doloso desclassificada para homicídio culposo, foi condenada por omissão em relação à tortura sofrida pelo filho e recebeu perdão judicial.
“Revolta. Estou revoltado, perplexo com o que vi ontem”, afirmou Leniel. “O que a gente espera de uma mãe é, no mínimo, proteção. E ali não teve isso. A Monique, no mínimo, foi omissa”, disse.
Monique deixou o Instituto Penal Talavera Bruce, em Bangu, na zona oeste do Rio de Janeiro, na tarde desta quinta-feira (4). O alvará de soltura, assinado pela juíza Elizabeth Machado Louro, da 2ª Vara Criminal da Capital, determinou que ela fosse colocada “imediatamente em liberdade”, caso não estivesse presa por outro motivo.

Na sentença, a magistrada declarou cumprida a pena aplicada à mãe de Henry, considerando o período em que ela permaneceu presa preventivamente. A juíza também afirmou que Monique já havia sofrido punição suficiente, citando a repercussão do caso, o período de prisão e agressões sofridas enquanto esteve detida.
Leniel acusou a juíza de parcialidade e afirmou que houve uma “manobra” durante a formulação dos quesitos apresentados aos jurados. Segundo ele, os jurados teriam inicialmente reconhecido homicídio doloso em relação a Monique, mas a questão teria sido retomada até a desclassificação para homicídio culposo.
“Eu não imaginava que poderia ter uma manobra da juíza. E ontem a gente viu uma manobra”, declarou. O pai de Henry disse que o Ministério Público e os assistentes de acusação devem recorrer da decisão.
Leniel afirmou que a família pretende pedir a anulação do júri de Monique. Segundo ele, a sessão foi gravada e haveria elementos para questionar a condução da nova quesitação feita durante o julgamento.
Durante a entrevista, o pai de Henry citou episódios que, segundo ele, indicavam agressões anteriores contra o menino. Leniel mencionou relatos atribuídos à criança, conversas anexadas ao processo e imagens de Henry saindo do apartamento de cueca após um episódio investigado.
“Estamos falando aqui de seis cenários de agressões, que estão provados no processo”, disse. Para Leniel, Monique sabia dos sinais de violência e não retirou o filho do ambiente de risco.
Ele também criticou o foco do julgamento e afirmou que a vítima ficou em segundo plano. “Muito pouco foi falado sobre a criança e a decisão final não foi pautada na vida e na morte do Henry”, afirmou.
A defesa de Monique Medeiros disse, em nota, que o julgamento foi pautado pela análise das provas produzidas durante a instrução processual, dentro das regras do júri popular. A defesa afirmou ainda que sempre sustentou que Monique não praticou qualquer agressão contra o filho e que seu maior erro foi não conseguir perceber a tempo a violência que ela e Henry sofriam.














