Cidades

Caso Gritzbach: Ministério Público denuncia 3 por usarem fintechs para lavar dinheiro do PCC

Denúncia foi feita em 14 de março, mas divulgada pelo MP somente nesta terça-feira (25); 2GO teria lavado cerca de R$ 6 bilhões da facção

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Emanuelle Menezes
25/03/2025, 14:58 • Atualizado em 26/03/2025, 00:56
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O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo (MPSP), denunciou três homens acusados de usarem duas fintechs empresas de tecnologia no mercado financeiro – na lavagem de dinheiro da facção Primeiro Comando da Capital (PCC). A denúncia foi feita em 14 de março, mas divulgada pelo MP somente nesta terça-feira (25).

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As fintechs envolvidas são a 2GO Instituição de Pagamentos, que tem como um dos sócios o policial civil afastado Cyllas Salerno Elia Júnior, e a InvBank Soluções Financeiras, alvos da Operação Hydra em fevereiro deste ano. Somente a 2GO teria lavado cerca de R$ 6 bilhões do PCC, movimentando dinheiro em ao menos 15 países, incluindo o Brasil, segundo o Ministério Público.

As investigações contra as empresas de tecnologia começaram a partir da delação de Antônio Vinicius Gritzbach, que também lavava dinheiro para a facção. Na colaboração premiada, ele narrou a logística montada por criminosos para a circulação de valores de origem ilícita. Gritzbach foi executado no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, em novembro do ano passado.

Antônio Vinicius Gritzbach | Reprodução
Antônio Vinicius Gritzbach | Reprodução

Segundo os promotores do Gaeco, os alvos da denúncia agiam por meio de práticas como smurfing (fracionamento de transações usando carteiras digitais e contas bancárias virtuais), operações com criptomoedas, contas de laranjas, empresas de fachada e empréstimos fraudulentos. As fintechs facilitavam a lavagem de dinheiro intermediando a comercialização de imóveis e os depósitos para laranjas.

"A manobra para a compra e venda de imóveis tinha o objetivo de ocultar os reais interessados pelas aquisições, integrantes da alta hierarquia da facção criminosa", informou o Ministério Público.

Até o momento, o Ministério Público de São Paulo não informou a identidade dos três homens denunciados.

Fintechs investigadas

Segundo o MP, chama a atenção o fato de um policial civil, com salário de cerca de R$ 10 mil, ser dono de uma fintech milionária. Para os promotores, esse detalhe reforça a tese de que o crime organizado já conseguiu se infiltrar em setores estratégicos.

Cyllas Elia Júnior já havia sido preso no ano passado em outra operação da PF, em Campinas, por envolvimento com criminosos chineses. Ele estava afastado da Polícia Civil desde dezembro de 2022, mas havia conseguido um habeas corpus no final de 2024. Cyllas foi preso na Operação Hydra, em 25 de fevereiro.

Já a Invbank Soluções teria como cotistas os integrantes do PCC Anselmo Santa Fausta, conhecido como "Cara Preta", e Rafael Maeda, conhecido como "Japa". Gritzbach chegou a ser preso como mandante do assassinato de Cara Preta, morto em uma emboscada, em 2021, junto com seu motorista Antônio Corona Neto, o "Sem Sangue". Já "Japa" teria sido obrigado a cometer suicídio por membros da facção.

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