A cada 3 dias, uma pessoa é atingida por bala perdida no Rio
Levantamento de maio aponta alta de 160% em relação ao mesmo mês de 2025, segundo o Instituto Fogo Cruzado


Rio de Janeiro | Reprodução Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Em maio, ao menos 13 pessoas foram vítimas de bala perdida na região metropolitana do Rio de Janeiro, o que equivale a uma pessoa atingida a cada três dias. O número representa aumento de 160% em relação ao mesmo mês do ano passado, quando cinco pessoas foram atingidas. Os dados são do Instituto Fogo Cruzado.
Os dados do relatório mensal também mostram alta de 340% nos casos de pessoas baleadas durante assaltos ou tentativas de assalto. Ao todo, 22 pessoas foram atingidas nesse tipo de ocorrência em maio deste ano, sendo 10 mortes e 12 feridos. No mesmo mês de 2025, cinco pessoas foram baleadas nessas situações, com três mortes.
Entre as vítimas de assaltos ou tentativas de assalto em maio, um motociclista foi baleado no dia 30 nas proximidades da Avenida Maracanã, na Tijuca, zona norte do Rio. Ele estava chegando em casa quando foi abordado e atingido na região da clavícula e da cabeça.
Maio registrou ainda 20 tiroteios motivados por disputas entre grupos armados, o segundo maior número do ano, atrás apenas de janeiro, com 21 registros. Ao menos 19 pessoas foram atingidas nesses episódios. Entre os casos está um tiroteio em Costa Barros, na zona norte do Rio, que deixou um homem morto e duas mulheres, além de um bebê de 1 ano e 3 meses, feridos.
Também houve aumento nos tiroteios ligados a ações e operações policiais. Foram 82 registros no mês, alta de 14% em comparação aos 72 casos de maio de 2025. Do total de 166 tiroteios mapeados na região metropolitana do Rio ao longo do mês, quase metade (49%) ocorreu nesse contexto.
Nesses episódios, 62 pessoas foram baleadas, o que representa 54% do total de vítimas do mês, que chegou a 115 pessoas — sendo 66 mortas e 49 feridas.
“O que os números de maio revelam é um retrato do colapso na segurança pública. Balas perdidas atingindo moradores em plena rotina, pessoas baleadas durante roubos, disputas territoriais entre grupos armados e tiroteios em operações policiais. Tudo isso compõe um cenário de violência que atinge diretamente a população. Nenhum desses fenômenos pode ser tratado isoladamente. O poder público precisa de uma resposta integrada, que vá além do confronto e alcance as causas desse ciclo”, avalia Carlos Nhanga, coordenador regional do Instituto Fogo Cruzado no Rio de Janeiro.
Veja os números detalhados:
Municípios
Com 111 tiroteios registrados no mês, a capital fluminense concentrou 67% dos casos na região metropolitana. Os municípios mais afetados foram:
- Rio de Janeiro: 111 tiroteios, 46 mortos e 30 feridos
- São Gonçalo: 17 tiroteios, 7 mortos e 7 feridos
- Duque de Caxias: 10 tiroteios, 2 mortos e 4 feridos
- Niterói: 6 tiroteios, 1 morto e 2 feridos
- Nova Iguaçu: 5 tiroteios, 1 morto
Bairros
Os bairros mais afetados pela violência armada foram:
- Tijuca (Rio de Janeiro): 10 tiroteios e 3 feridos
- Maré (Rio de Janeiro): 8 tiroteios, 2 mortos e 1 ferido
- Jacarepaguá (Rio de Janeiro): 5 tiroteios e 5 mortos
- Costa Barros (Rio de Janeiro): 4 tiroteios, 7 mortos e 1 ferido
- Jardim Catarina (São Gonçalo): 4 tiroteios, 4 mortos e 2 feridos
- Cascadura (Rio de Janeiro): 4 tiroteios, 2 mortos e 2 feridos
- Taquara (Rio de Janeiro): 4 tiroteios, 2 mortos e 2 feridos















