Receita retira de cargo de chefia auditor investigado por acesso a dados de parente de Gilmar Mendes
Ricardo Mansano foi afastado de eventual função de comando no interior de SP; portaria publicada no DOU não apresentou justificativas


Jessica Cardoso
A Receita Federal dispensou do cargo de chefia o auditor fiscal Ricardo Mansano de Moraes, alvo de operação da Polícia Federal (PF) que apura o suposto vazamento de dados de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e familiares. A investigação envolve suspeita de acesso a informações de uma enteada do ministro Gilmar Mendes.
A dispensa foi assinada na quarta-feira (18) e publicada nesta quinta-feira (19) no Diário Oficial da União (DOU). O texto não apresenta justificativa e não implica exoneração do cargo de auditor fiscal, embora ele esteja afastado das funções públicas por decisão do STF no âmbito da investigação.
Mansano exercia o encargo de substituto eventual do chefe da Equipe de Gestão do Crédito Tributário e do Direito Creditório na Delegacia da Receita Federal em Presidente Prudente, no interior de São Paulo.
O auditor foi alvo de mandado de busca e apreensão na terça-feira (17), por decisão do ministro do STF Alexandre de Moraes, relator do caso. Além da busca, ele teve os sigilos bancário, fiscal e telemático quebrados, foi afastado das funções públicas e está proibido de deixar a cidade onde mora. Também deverá cumprir recolhimento domiciliar noturno e aos fins de semana. O passaporte foi apreendido.
Entre os quatro investigados, Mansano é o que recebe a maior remuneração. Ele ingressou no serviço público em 27 de novembro de 1995 e atualmente recebe R$ 38.261,86. Em dezembro de 2025, o valor chegou a R$ 51.675,41, considerando gratificações e outros benefícios.









