Política

Lindbergh critica ato de Nikolas Ferreira: “Marcha foi marcada pela irresponsabilidade”

Após críticas do líder do PT, Nikolas Ferreira visita feridos no Hospital de Base, em Brasília

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O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) | Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

O líder do PT na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias (PT-RJ), criticou o ato organizado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), realizado neste domingo (25), em Brasília, que terminou com dezenas de pessoas feridas após a queda de um raio durante a manifestação.

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Em publicação nas redes sociais, Lindbergh afirmou que a mobilização apresentou falhas desde o início e colocou pessoas em risco.

“Do começo ao fim, a ‘marcha’ do Nikolas foi marcada pela irresponsabilidade. Saiu caminhando pela BR-040 sem comunicar a PRF, o DNIT ou autoridades competentes, fechou pista, ocupou a via e teve até helicóptero pousando na borda da estrada”, escreveu.

O deputado também criticou a decisão dos organizadores de manter o protesto mesmo diante da forte tempestade que atingiu Brasília, o que, segundo ele, agravou os riscos aos participantes.

“Mesmo com tempestade forte em Brasília, os organizadores não dispersaram o ato. O resultado foi um mastro improvisado que virou para-raios, mais de 30 pessoas hospitalizadas e oito em estado grave”, declarou.

Na avaliação do líder do PT, Nikolas Ferreira não demonstrou solidariedade às vítimas após o incidente. Lindbergh afirmou que o deputado fez um discurso “confuso” e preferiu atacar o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, além de afirmar que “é só o começo” e encerrar o ato com uma oração contra a corrupção.

Ainda na publicação, Lindbergh relacionou a manifestação a denúncias envolvendo o Banco Master e disse que a mobilização teria buscado desviar o foco do debate público.

“As investigações da Polícia Federal seguirão, e a nossa resposta será a campanha no (pré)carnaval contra a anistia, em defesa do veto presidencial ao PL da Dosimetria e pelo fim da escala 6x1”, concluiu.

Críticas nas redes

Outros governistas foram às redes sociais responsabilizar Nikolas pelo número de feridos em ato convocado pelo deputado. Érika HIlton (Psol) foi uma delas.

"Entre proteger seus apoiadores de uma tempestade ou perder o timing político, Nikolas optou por colocar pessoas em risco em nome de ganhos pessoais e eleitorais", escreveu a deputada, que também se solidarizou com os feridos.

Visita aos feridos

Após o encerramento dos atos, Nikolas Ferreira foi ao Hospital de Base, em Brasília, para visitar manifestantes feridos. O parlamentar chegou à unidade com dificuldade para caminhar, em razão do desgaste físico causado pela caminhada realizada ao longo da semana.

A jornada teve início na segunda-feira (19), em Paracatu (MG), a cerca de 240 quilômetros de Brasília, e terminou na capital federal neste domingo (25). Batizada de “Acorda Brasil”, a caminhada reuniu apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Após a visita, Nikolas afirmou aos jornalistas que, aé aquele momento, não havia registro de casos graves entre os manifestantes hospitalizados. Segundo o deputado, ele conversou com o médico responsável pelo atendimento e recebeu a informação de que duas pessoas permaneceriam em observação, enquanto as demais não apresentavam quadro grave.

O deputado afirmou ainda que o episódio foi resultado de um fenômeno natural e rejeitou críticas sobre falhas na organização do ato. Para ele, o incidente não teve relação com irresponsabilidade, falta de organização ou tumulto, mas com um evento que estaria fora do controle dos organizadores.

“Aconteceu um incidente natural. Não foi por irresponsabilidade nossa, não foi por falta de organização, não foi por tumulto. Foi literalmente algo que foge do nosso controle, e eu não poderia deixar de vir pessoalmente prestar solidariedade às vítimas”, afirmou.

O parlamentar também afirmou que apoiadores estariam mobilizados em orações pela recuperação das vítimas. Ao final, disse que a caminhada atingiu seu objetivo e avaliou que a mobilização deixou um recado político ao país.

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