Polícia

Exclusivo: Vídeo mostra suposto roubo que expôs venda ilegal de camarotes no Morumbis

Imagens obtidas com exclusividade pelo SBT mostram Carolina Cassemiro, dona da empresa envolvida no golpe, correndo com ingressos na mão

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Um vídeo de uma mulher correndo pelos corredores do estádio do São Paulo Futebol Clube, após um tumulto na negociação de ingressos de um camarote, foi o ponto de partida para uma investigação policial que terminou na queda do então presidente do clube, Julio Casares.

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A defesa do dirigente sustenta que supostas provas foram divulgadas de forma premeditada, como parte de uma articulação política interna.

Na última quarta-feira, Julio Casares renunciou à presidência do São Paulo. Ele já havia sido afastado pelo Conselho Deliberativo e, segundo aliados, decidiu deixar o cargo para preservar seus direitos políticos dentro do clube. Com a saída, o então vice-presidente Harry Massis assumiu o comando.

A renúncia encerrou um processo que abalou as estruturas do Tricolor Paulista e abriu uma nova fase de disputas, agora fora do Morumbi, no campo judicial.

O ex-presidente passou a se defender das acusações na Justiça, com o apoio de um dos principais escritórios de advocacia da capital paulista.

A estratégia da defesa é sustentar que todo o episódio fez parte de uma articulação organizada por integrantes da oposição para enfraquecer a imagem de Casares.

Segundo os advogados, o caso teve início com o vazamento de áudios que indicariam a suposta comercialização irregular de camarotes em grandes eventos no estádio do São Paulo.

Áudios citam venda de camarotes e nomes ligados ao clube

De acordo com as investigações, Mara Casares, ex-esposa de Julio, mantinha relação de confiança com Adriana Prado, apontada como responsável pela venda dos espaços.

Os áudios vazados também indicariam a participação de Douglas Schwartzmann, à época diretor-adjunto das categorias de base do clube.

Um dos episódios envolve o show da cantora Shakira, quando uma empresa representada por Carolina Cassemiro teria adquirido um camarote por R$ 132 mil, mas pago apenas R$ 70 mil, sob alegação de que condições contratuais não teriam sido cumpridas.

Sem receber os ingressos até o dia do evento, Carolina teria ido ao estádio cobrar Adriana pessoalmente.

Vídeo exclusivo e versões conflitantes

Imagens obtidas com exclusividade pelo jornalismo do SBT mostram Carolina correndo pelos corredores do estádio com um pacote nas mãos. Em depoimento, ela afirmou que retirou o pacote das mãos de Adriana por entender que tinha direito aos ingressos. Já Adriana a acusou de roubo.

Segundo o advogado Bruno Borragini, que defende Julio Casares, esse episódio foi o estopim de um processo que teria sido usado politicamente pela oposição do São Paulo para desgastar o então presidente.

Em outro áudio atribuído ao conselheiro Fábio Mariz, integrante da oposição, há menções ao impacto político da divulgação do material. Em um dos trechos, ele afirma que o “efeito colateral” sobre Julio seria grande e sugere que o caso poderia levar à renúncia do presidente.

Paralelamente, a Polícia Civil apura saques em dinheiro vivo da conta do São Paulo Futebol Clube que somariam R$ 11 milhões. Outra investigação analisa o depósito de R$ 1,5 milhão em espécie na conta pessoal de Julio Casares.

As movimentações constam em relatórios do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras). A defesa afirma que os valores têm origem em atividades lícitas do ex-dirigente na iniciativa privada e classifica o procedimento como um “inquérito de exceção”, além de reclamar da dificuldade de acesso aos autos.

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