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Impeachment de Casares: entenda acusações e como será votação do conselho

Presidente do São Paulo está no centro de uma crise sem precedentes na história recente do clube, com diversas acusações contra sua gestão

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Vicklin Moraes, Antonio Souza
16/01/2026, 10:00 • Atualizado em 16/01/2026, 10:00
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Foto: reprodução/SPFC

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O Conselho Deliberativo do São Paulo Futebol Clube vota nesta sexta-feira (16) o impeachment do presidente Julio Casares, no cargo desde 2021. A votação acontece às 18h30 de forma presencial e remota.

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Casares está no centro de uma crise sem precedentes na história recente do clube, com diversas acusações contra sua gestão. Entre elas, acordos atípicos envolvendo as finanças do clube, movimentações suspeitas em sua conta pessoal e um escândalo envolvendo a comercialização de camarotes no estádio do Morumbis.

Para entender como irá funcionar o processo de deposição do cargo, o SBT News mostra todas as acusações e como irá acontecer o processo de votação para o possível impeachment do presidente do São Paulo.

R$ 1,5 milhão em depósitos fracionados

Relatórios financeiros aos quais o UOL teve acesso, e confirmados pelo SBT, mostram que Julio Casares recebeu cerca de R$ 1,5 milhão em depósitos em espécie diretamente em sua conta corrente entre janeiro de 2023 e maio de 2025, período em que já ocupava a presidência do clube.

Os depósitos aconteceram em valores pequenos e fracionados, técnica conhecida como smurfing — usada para evitar alertas automáticos em sistemas de fiscalização financeira.

Segundo o relatório, esse montante representou quase metade da renda declarada de Casares no período, bem superior à remuneração oficial que recebia como presidente do clube, que gira em torno de R$ 27 mil reais.

Saques de R$ 11 milhões das contas do clube

Além dos depósitos pessoais, os relatórios também indicam 35 saques em dinheiro realizados a partir de contas do clube, que somam R$ 11 milhões entre janeiro de 2021 e novembro de 2025. Segundo os investigadores, esse tipo de operação em espécie foge ao padrão de governança esperado para uma instituição esportiva de grande porte.

Em nota, Julio Casares afirmou, por meio de seus advogados, que todas as movimentações têm origem lícita e compatível com a evolução de sua capacidade financeira. O presidente declarou ainda que irá prestar todos os esclarecimentos necessários ao longo das investigações.

O escândalo dos camarotes no Morumbis

Camarote no Morumbis | Foto: reprodução
Camarote no Morumbis | Foto: reprodução

Em dezembro de 2025, o portal ge.com divulgou áudios que indicam um esquema de comercialização clandestina de camarotes no estádio do Morumbis durante eventos, incluindo o show da cantora Shakira.

No áudio, Douglas Schwartzmann, então diretor adjunto de futebol de base do São Paulo, e Mara Casares, diretora feminina, cultural e de eventos e ex-esposa de Julio Casares, teriam admitido favorecimentos e lucros pessoais com a venda irregular dos espaços VIP do clube.

Schwartzmann e Mara Casares pediram licença de seus cargos após a divulgação do conteúdo. O Ministério Público de São Paulo requisitou a abertura de inquérito para investigar o caso.

Internamente, o São Paulo abriu duas sindicâncias: uma interna e outra externa, com auditoria independente

Impeachment

Para que Julio Casares seja destituído da presidência do São Paulo Futebol Clube, é necessário o voto favorável de ao menos 171 membros do Conselho Deliberativo, o equivalente a dois terços do total de 254 conselheiros aptos.

A votação ocorrerá em formato híbrido, com participação presencial e remota, após decisão da 3ª Vara Cível do Butantã, mantida pela juíza Monica Rodrigues Dias de Carvalho, da 1ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo.

Inicialmente, o presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres, havia defendido que a votação seguisse o artigo 58 do Estatuto do clube, que exige aprovação de 75% dos conselheiros presentes, o que poderia elevar o quórum para cerca de 191 votos, a depender da presença no dia da reunião.

A interpretação foi contestada por grupos de oposição, que apontaram o artigo 112 do Estatuto Social. O dispositivo estabelece que o presidente eleito pode ser destituído pelo voto favorável de dois terços da totalidade dos membros do Conselho Deliberativo.

Na análise do caso, a Justiça afastou a alegação de conflito entre os dispositivos. Segundo a decisão, as normas tratam de etapas distintas do processo deliberativo, uma relacionada à instalação da reunião e outra ao quórum necessário para a destituição. Assim, para o afastamento do presidente, bastam 171 votos.

A decisão também destacou que não há, no Estatuto ou no Regimento Interno, exigência de que reuniões dessa natureza ocorram exclusivamente de forma presencial.

Saída de apoiadores

Desde que denúncias envolvendo Casares vieram a público, grupos políticos deixaram a base de apoio ao presidente. Entre eles estão Legião Tricolor, Vanguarda Tricolor, Sempre Tricolor e Participação São Paulina. Juntos, os grupos somam cerca de 125 conselheiros.

A Legião Tricolor é coordenada por Carlos Belmonte, ex-diretor de futebol. O Vanguarda Tricolor é liderado por Marcelo Pupo, ex-presidente do Conselho Deliberativo. O Sempre Tricolor tem como dirigente Fernando Bracalle Ambrogi, conhecido como Chapecó, ex-diretor adjunto de futebol. O grupo Participação São Paulina é comandado por Themistocles Almeida.

Como funciona o processo de impeachment

O procedimento foi iniciado a partir de um pedido com 57 assinaturas, acima do mínimo de 50 exigido pelo Estatuto. O Conselho Consultivo emitiu parecer contrário ao impeachment. O documento não tem caráter vinculante, mas serve como subsídio para o debate entre os conselheiros.

Caso o afastamento seja aprovado por pelo menos dois terços do Conselho Deliberativo, Casares será afastado provisoriamente. Em até 30 dias, deverá ser convocada uma Assembleia Geral de Sócios para ratificar ou rejeitar a decisão. Nessa etapa, é exigida maioria simples.

Se os sócios confirmarem a decisão, Casares será destituído definitivamente e o vice-presidente Harry Massis Junior assume o cargo até o fim do mandato. Caso a Assembleia rejeite o afastamento, o presidente retorna ao cargo.

Foto: Marcos Ribolli | Foto: Marcos Ribolli
Foto: Marcos Ribolli | Foto: Marcos Ribolli

Se confirmada a destituição pelo Conselho e pela Assembleia, Casares também fica banido do clube. Em caso de renúncia, ele manteria assento no Conselho Consultivo, situação semelhante à vivida pelo ex-presidente Carlos Miguel Aidar, que deixou o cargo em 2015 e posteriormente foi absolvido pela Justiça das acusações de fraude e lavagem de dinheiro.

Quem é Julio Casares

Julio Casares ocupou diversos cargos no São Paulo Futebol Clube, incluindo os de conselheiro de administração e diretor de marketing durante a gestão de Juvenal Juvêncio. Na administração de Carlos Miguel Aidar, assumiu a vice-presidência geral.

Em dezembro de 2020, foi eleito presidente do clube para o triênio 2021 a 2023, tendo Harry Massis Junior como vice. A eleição ocorreu em sistema drive thru, em razão da pandemia de Covid-19.

Após mudanças estatutárias aprovadas em 2021 e 2022, que passaram a permitir a reeleição, Casares foi reeleito em dezembro de 2023, em eleição sem concorrentes, para mais um mandato de três anos.

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