Olimpíada

Orçamento do esporte no Brasil cresce em 2024 após taxação de apostas online

Atletas olímpicos podem receber patrocínios de sites das chamadas “bets”? Entenda

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Rodrigo Vasconcelos
08/08/2024, 22:55 • Atualizado em 08/08/2024, 22:55
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Bets | Joédson Alves/Agência Brasil

Bets | Joédson Alves/Agência Brasil

Enquanto o Brasil conquistou mais uma medalha de bronze, nesta quinta-feira (8), por coincidência ou não, o orçamento para os atletas vai ficar maior a partir deste ano. Os pódios na França ajudam a trazer mais patrocinadores aos atletas, mas os recursos públicos também vão aumentar por conta da regulamentação das apostas esportivas no Brasil.

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Desde o começo de 2024, quando a lei foi sancionada, a atividade das empresas que atuam no país foi taxada em 12% da arrecadação. Desse valor, 36% será repassado ao esporte brasileiro.

Ou seja, esse dinheiro vai para o Comitê Olímpico, Paralímpico, para clubes esportivos, aos próprios atletas, além, é claro, dos governos estaduais e do Ministério do Esporte.

Se estiverem corretas as previsões do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a atividade das apostas esportivas no Brasil deve render R$ 2 bilhões em arrecadação de impostos só em 2024. Fazendo as contas, nós chegamos a um valor extra de quase R$ 86,5 milhões neste ano.

No Brasil, ao somar Bolsa Atleta com as leis de incentivo ao esporte e Agnelo Piva, o valor do orçamento público no último ciclo olímpico (entre 2022 e 2024) é de 950 milhões de dólares (cerca de R$ 5,27 bilhões).

Atletas podem receber patrocínio das bets?

A postura do Comitê Olímpico Internacional (COI) publicou, em 2020, um documento com recomendações para os comitês de cada país que tenham ofertas de patrocínio de casas de apostas.

Segundo o guia, cada instituição precisa checar se as empresas seguem o mínimo necessário de transparência, lisura e regularidade dentro das suas atividades. Não proíbe, nem incentiva o patrocínio das "bets" aos comitês de cada país.

Além disso, o COI reforça que atletas não podem apostar nos próprios esportes, e pedem que os comitês avisem equipes e acionistas quanto aos riscos da manipulação de resultados e do conflito de interesses com relação a esse tipo de patrocínio.

Até hoje, nenhuma edição dos Jogos Olímpicos até hoje teve como patrocinador uma empresa de apostas online.

No Brasil, temos ex-atletas como garotos-propaganda, mas ninguém da delegação brasileira em Paris tem patrocínio direto vindo das apostas.

Mesma coisa em relação ao Comitê Olímpico do Brasil (COB). Mas, com relação a jogos de azar, as loterias federais aparecem como parceiros do COB, por conta da Lei Agnelo/Piva, que destina 2% desta arrecadação para o esporte brasileiro.

Procurado pela reportagem, o COB ainda não respondeu ao SBT News sobre possibilidade de aceitar propostas de patrocínios de sites de apostas.

Por outro lado, o presidente da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), Plínio Lemos Jorge, afirma que há interesse das empresas em investir no esporte olímpico e nos atletas brasileiros.

“Agora com o mercado regulamentado, já com uma legislação consolidada, com certeza as casas de aposta tem interesse de patrocinar outros tipos de esporte, fomentar o esporte como contribuição social para a população do Brasil. A partir do ano que vem, que é o momento que as casas terão sua licença já expedida, com certeza esse cenário vai ser de muito incentivo e muita contribuição com o esporte”, comentou.

No entanto, o debate sobre este tipo de aproximação entre atletas e empresas de aposta existe por conta de problemas recentes.

O Senado Federal conduziu uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar denúncias de manipulação de resultados de futebol no país.

Em julho saiu o relatório, que apontou uma movimentação suspeita de R$ 9,2 milhões em apostas entre 2022 e 2023.

Atitudes irregulares como um cartão amarelo forçado, um lateral entregue de propósito, ou uma substituição inusitada teriam beneficiado certos apostadores.

Os senadores tiveram acesso a informações de 142 partidas realizadas no Brasil, das quais 52 geraram a movimentação suspeita. Nenhum destes jogos envolveu a Série A do Campeonato Brasileiro.

Outro caso conhecido é o do jogador Lucas Paquetá. O meia da seleção brasileira é acusado na Inglaterra de receber cartões amarelos de propósito para beneficiar amigos em apostas.

O jogador nega as acusações, mas pode enfrentar suspensão de dez anos caso seja condenado.

Diante deste cenário, o representante das empresas de bets afirma que casos como esse representam não só um risco para a integridade do esporte, mas também uma dor de cabeça para a atividade das apostas no Brasil. Por isso, listou medidas para evitar novas suspeitas.

“Sempre que existe uma fraude numa aposta, a casa é vítima e perde o dinheiro e, por isso, precisa se resguardar. Os mecanismos de integridade que já são adotados e serão adotados a partir do próximo ano são muito rigorosos. Temos empresas internacionais que farão o monitoramento desse tipo de aposta, movimentando e dando orientação sobre apostas que fogem do limite ou do lugar comum. Os mecanismos já estão sendo utilizados para que desvios sejam apontados e possamos procurar as autoridades, o Ministério Público, a Polícia Civil e o Ministério da Fazenda. Para a gente é importante não só a segurança financeira, mas que o esporte seja valorizado”, avaliou Plínio.

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