Mundo

Vencedor do Nobel: Trump pune Brasil por sucesso do Pix

Paul Krugman afirma que Trump pune Brasil por democracia e ofensiva dos EUA contra o Brasil tem motivação política e pode fortalecer Lula

Avatar de André Barbeiro
André Barbeiro
Paul Krugman | Foto: Reprodução

Paul Krugman | Foto: Reprodução

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

Em artigo publicado nesta segunda-feira (20), o economista classificou como injustificada a decisão da administração americana de incluir o Pix na investigação comercial conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio, mecanismo utilizado para apurar supostas práticas comerciais desleais.

"De certa forma, o governo Trump ainda tenta punir o Brasil por ser uma democracia de fato. Diferentemente dos Estados Unidos, o Brasil processou seu ex-presidente, Jair Bolsonaro, por tentar incitar uma insurreição após sua derrota na última eleição", afirmou.

Segundo o Nobel, a postura da Casa Branca revela uma tentativa de pressionar um país que adotou medidas institucionais após uma tentativa de ruptura democrática.

O economista lembra que o Pix foi lançado pelo Banco Central há quase seis anos e rapidamente se consolidou como um dos sistemas de pagamentos instantâneos mais bem-sucedidos do mundo. Krugman recorda que, há um ano, publicou um artigo elogiando o serviço brasileiro e defendendo que ele poderia representar "o futuro do dinheiro". Agora, diz ele, o governo Trump pretende punir justamente esse sucesso.

"Trump tentará punir o Brasil por esse sucesso", escreveu. Em seguida, questiona a lógica da investigação americana: "Por que seria desleal um país oferecer aos seus próprios cidadãos uma forma melhor de fazer compras e pagar contas?".

Para Krugman, oferecer um sistema público mais eficiente não configura uma prática comercial desleal, mas sim um avanço tecnológico capaz de ampliar a concorrência e reduzir custos para consumidores e empresas.

Críticas à influência de interesses privados

Ao longo do artigo, Krugman argumenta que a verdadeira motivação da ofensiva americana é proteger interesses econômicos de grandes empresas e grupos que apoiam Trump. Segundo ele, o Pix reduziu a dependência dos brasileiros de meios tradicionais de pagamento, afetando empresas como Visa e Mastercard. No entanto, o economista afirma que essa perda de mercado decorre da concorrência entre tecnologias, e não de qualquer vantagem indevida concedida pelo governo brasileiro.

"Desde quando é uma prática comercial desleal uma empresa perder clientes para um concorrente que oferece um produto melhor e mais barato?", questiona. Para reforçar o argumento, ele compara a obrigatoriedade de os bancos brasileiros oferecerem o Pix à obrigação dos bancos americanos de aceitar depósitos em dólar e disponibilizar dinheiro em espécie aos clientes. "Poucas pessoas considerariam isso injusto", afirma.

O economista ainda compara o sucesso do Pix ao fracasso da experiência de El Salvador com o Bitcoin. Enquanto o Brasil consolidou um sistema público amplamente utilizado pela população, o governo salvadorenho gastou recursos para incentivar o uso da criptomoeda, que não conseguiu se tornar um meio de pagamento relevante e gerou prejuízos após a queda do valor do Bitcoin.

"Trump declarou guerra ao futuro"

Na avaliação de Krugman, a postura do governo americano em relação ao Pix é semelhante à política adotada por Trump para conter o avanço das energias renováveis. Em ambos os casos, afirma, interesses privados impedem a adoção de tecnologias mais eficientes.

"O governo Trump declarou guerra ao futuro", escreveu. Para ele, o discurso de defesa da inovação desaparece quando o progresso ameaça setores tradicionais, como as empresas de cartões, o mercado de criptomoedas e a indústria de combustíveis fósseis.

Apesar das tarifas anunciadas pelos Estados Unidos, Krugman avalia que a estratégia dificilmente produzirá os efeitos esperados. Segundo o vencedor do Nobel de economia, a medida tende a fortalecer politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e terá impacto econômico limitado.

"Agora, usar tarifas para punir o Brasil por suas conquistas monetárias não terá sucesso. Politicamente, a medida só fortalecerá o presidente Lula. Economicamente, o alcance das tarifas será limitado pelos temores do governo Trump de que os preços do café, suco de laranja, carne bovina e outros produtos subam ainda mais."

Para Krugman, o redirecionamento do comércio global permitiu ao Brasil ampliar sua participação nas exportações para a China, especialmente no mercado de soja. Ainda assim, ele conclui que a "insensatez" das novas tarifas não impedirá sua implementação. "Uma coisa que sabemos sobre Trump é que ele nunca admite quando suas guerras de escolha fracassam", finaliza.

Leia mais

Ver tudo
Imagem da notícia: EUA identificam militares mortos em ataque na Jordânia

EUA identificam militares mortos em ataque na Jordânia

Imagem da notícia: Lula desafia Rubio e antecipa mote: soberania e democracia

Lula desafia Rubio e antecipa mote: soberania e democracia

Imagem da notícia: Laudo indica asfixia em piloto morto após "banho de óleo"

Laudo indica asfixia em piloto morto após "banho de óleo"

Imagem da notícia: Federação União Progressista em SP anuncia apoio a Flávio

Federação União Progressista em SP anuncia apoio a Flávio

Imagem da notícia: EUA identificam militares mortos em ataque na Jordânia

EUA identificam militares mortos em ataque na Jordânia

Imagem da notícia: Lula desafia Rubio e antecipa mote: soberania e democracia

Lula desafia Rubio e antecipa mote: soberania e democracia

Imagem da notícia: Laudo indica asfixia em piloto morto após "banho de óleo"

Laudo indica asfixia em piloto morto após "banho de óleo"

Imagem da notícia: Federação União Progressista em SP anuncia apoio a Flávio

Federação União Progressista em SP anuncia apoio a Flávio

Últimas notícias

Viral da Copa: Espanha é bicampeã e Brasil muda de torcida

A conquista da Espanha, as novas torcidas dos brasileiros e os assuntos que dominaram as redes marcaram a reta final da Copa do Mundo de 2026

Líder do Cartel de Sinaloa pega prisão perpétua nos EUA

Ismael 'El Mayo' Zambada, de 76 anos, admitiu ter comandado, durante décadas, o envio de milhões de quilos de cocaína para o país norte-americano

Oposição pede urgência para barrar decreto das Big Techs

Pedido é protocolado no mesmo dia em que decreto de Lula entrou em vigor

Trump impõe tarifa extra de 50% sobre produtos do Canadá

Medida entra em vigor em 30 dias e foi adotada com base na Seção 338 da Lei Tarifária de 1930, dispositivo que não era utilizado desde 1949

Espanha reúne 2 milhões em festa pelo título da Copa; veja

Torcedores lotaram as ruas de Madri para celebrar o bicampeonato mundial; jogadores foram recebidos pelo rei Felipe VI e pelo premiê Pedro Sánchez

Fifa abre investigação sobre Argentina após final da Copa

Entidade vai apurar conduta de jogadores e integrante da comissão técnica depois da derrota para a Espanha