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Trump surpreende republicanos e diz que lei que criminaliza o aborto no Arizona "vai longe demais"

Legislação permite procedimento apenas quando a vida da mãe está em risco; ex-presidente pediu que legisladores alterem norma

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Camila Stucaluc
11/04/2024, 07:11 • Atualizado em 11/04/2024, 07:35
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Trump surpreende republicanos e diz que lei que criminaliza o aborto no Arizona "vai longe demais"

O ex-presidente Donald Trump surpreendeu aliados ao não apoiar integralmente o restabelecimento da lei que criminaliza o aborto no Arizona (EUA). Em declaração na quarta-feira (10), o republicano, que defende a derrubada da jurisprudência que garantia o direito ao procedimento no país, afirmou que a legislação “vai longe demais”.

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“Tenho certeza que o governador e todo mundo vai trazer isso de volta à razão e isso será resolvido”, disse Trump, informando que pediu aos legisladores para alterarem a lei.

A norma em questão foi restabelecida na última terça-feira (9), pela Suprema Corte do Arizona. Datada de 1864, a legislação criminaliza o aborto em todos os casos, exceto quando a vida da mãe está em risco. Isso significa que o procedimento não poderá ser realizado no estado em casos de estupro ou incesto, assim como era permitido.

Apesar de não ser o primeiro estado a restringir o aborto desde a derrubada da Roe v. Wade – o que deixou cada estado responsável pela regulamentação do procedimento –, a lei do Arizona é a mais restrita do país até o momento. Na Carolina do Norte, por exemplo, o aborto foi proibido, mas somente após 20 semanas de gestação.

Trump não foi o único republicano que criticou a decisão do Arizona. Parlamentares estaduais como o deputado Matt Gress e o senador TJ Shope denunciaram a retomada da lei, alegando que a norma foi aprovada em 1864, ou seja, quando o Arizona ainda não era um estado oficial devido à guerra civil promovida por sulistas no país (1861-1865).

"Esta decisão não pode se sustentar. Eu rejeito categoricamente voltar o relógio para uma época em que a escravidão ainda era legal e poderíamos prender mulheres e médicos por causa de um aborto”, disse Gress, que categorizou a decisão como “decepcionante”.

A republicada Kari Lake, que concorre para representar o Arizona no Senado norte-americano, também criticou a norma. Ela pediu aos legisladores que voltem a debater a lei e cheguem a uma solução “de bom senso” que os habitantes do Arizona possam apoiar. “Falo com a população do Arizona mais do que qualquer pessoa e é bastante claro que esta lei está em descompasso com o estado”, disse.

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