Trump faz discurso do Estado da União e defende “era de ouro” da economia
Presidente dos EUA falou sobre inflação, imigração, Irã e criticou decisões judiciais em pronunciamento recorde ao Congresso

Antonio Souza
com informações da Reuters
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez nesta terça-feira (24) o tradicional discurso sobre o Estado da União ao Congresso americano.
O pronunciamento, televisionado em horário nobre, durou cerca de 1 hora 47 minutos, tornando-se o mais longo já feito por um presidente ao Congresso e superando o próprio recorde estabelecido por Trump no ano passado.
Grande parte do discurso foi dedicada à economia americana. O presidente também abordou a tensão com o Irã, afirmando que busca um diálogo diplomático, mas reiterando que impedirá qualquer avanço nuclear no país islâmico.
Trump ainda tratou das políticas de imigração, tema que tem sido alvo de críticas durante seu governo. Um parlamentar democrata chegou a ser retirado do plenário após se manifestar durante o discurso.
"Era de ouro" da economia
Trump afirmou ter inaugurado uma “era de ouro” no país e defendeu que sua gestão controlou a inflação e elevou o mercado de ações a níveis recordes.
O presidente também destacou que seu governo assinou amplos cortes de impostos, reduziu preços de medicamentos e impulsionou a produção de petróleo e os investimentos.
“Nossa nação está de volta — maior, melhor, mais rica e mais forte do que nunca”, declarou.
No entanto, dados econômicos recentes indicam que a inflação permaneceu elevada e chegou a subir levemente no último ano, enquanto o setor industrial perdeu postos de trabalho. Pesquisas apontam que parte do eleitorado demonstra preocupação com o cenário econômico.
Tensão com Irã
O presidente voltou a abordar a questão nuclear envolvendo o Irã, mas não detalhou planos concretos. Segundo ele, o país busca um diálogo diplomático; no entanto, afirmou que jamais permitirá avanço nuclear em Teerã.
“Minha preferência é resolver este problema por meio da diplomacia”, disse. “Mas jamais permitirei que o maior patrocinador do terrorismo no mundo possua uma arma nuclear.”
Críticas ao Judiciário
Durante o discurso, Trump classificou uma decisão da Suprema Corte como “lamentável” e “decepcionante”, ao comentar o bloqueio de tarifas comerciais.
Ele reiterou que seu governo pode buscar mecanismos alternativos para implementar medidas semelhantes.
Imigração e expulsão de democrata
A imigração também foi um dos temas centrais. Trump afirmou que continuará permitindo a entrada legal de imigrantes que “amem o país e trabalhem arduamente”.
Ao mesmo tempo, repetiu críticas à imigração irregular e acusou democratas de dificultarem o financiamento do Departamento de Segurança Interna.
Parlamentares democratas boicotaram o discurso, deixando assentos vazios no plenário, enquanto protestos contra o presidente ocorreram do lado de fora do Capitólio.
O deputado democrata do Texas Al Green chegou a ser retirado do plenário durante o discurso. Green foi visto segurando uma placa com a frase “Negros não são macacos”, enquanto era escoltado para fora da Câmara.
Recentemente, Trump recebeu ampla condenação após sua conta nas redes sociais publicar — e depois apagar — um vídeo que mostrava o ex-presidente Barack Obama e a ex-primeira-dama Michelle Obama retratados de forma racista.
A Casa Branca removeu o vídeo, e Trump afirmou que a publicação foi feita por um membro de sua equipe.
O discurso ocorre em meio à queda nos índices de aprovação do presidente e às eleições legislativas previstas para novembro, quando estarão em disputa todas as 435 cadeiras da Câmara e cerca de um terço do Senado. Atualmente, os republicanos mantêm maioria nas duas Casas.









