Trump discursa em Davos em meio a disputa com a União Europeia sobre a Groenlândia
Presidente dos EUA deve intensificar pressão pela aquisição do território autônomo da Dinamarca durante o Fórum Econômico Mundial


Giovanna Colossi
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, discursa nesta quarta-feira (21) no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, em meio a disputa com a União Europeia sobre a Groenlândia.
O norte-americano iria discursar Pas 14h30 no horário local (10h30 no horário de Brasília), mas deve atrasar por volta de três horas após enfrentar problemas elétricos com a aeronave Air Force One ao decolar de Washington D.C. O republicano deve usar a ocasião para intensificar a pressão pela aquisição do território autônomo da Dinamarca, apesar dos protestos europeus.
Ontem, horas antes de embarcar para a Europa, Trump disse que “não há volta atrás” em seu objetivo de controlar a Groenlândia e se recusou a descartar a possibilidade de tomar o território pela força militar.
Anteriormente, o presidente dos EUA já havia ameaçado os países europeus com uma tarifa de 10% até que um acordo para a compra completa da Groenlândia seja alcançado. A taxa deve aumentar para 25% em junho caso as partes não cheguem a uma solução.
A Europa ameaça retaliar com medidas nunca usadas até então, como o chamado “Instrumento Anticoerção” (ACI). Esse cenário geopolítico, considerado o mais complexo em décadas, marcou os discursos de terça-feira (20) no encontro anual.
A presidente da União Europeia, Ursula von der Leyen, detalhou os esforços do bloco para buscar novas relações comerciais e se adaptar à atual era de tarifas e protecionismo dos Estados Unidos. “A Europa sempre escolherá o mundo, e o mundo está pronto para escolher a Europa”, afirmou.
Em relação à Groenlândia, von der Leyen acrescentou que a Europa “precisa se adaptar a uma nova arquitetura de segurança”.
Usando óculos escuros por causa de uma “condição ocular”, o presidente da França, Emmanuel Macron, criticou o ressurgimento de “ambições imperialistas” e o enfraquecimento do direito internacional. Segundo ele, “estamos vivendo uma profunda transformação global”.
“O conflito se tornou normalizado, híbrido, expandindo-se para novos domínios: espaço, digital, informação, ciberespaço, comércio e assim por diante. É também uma mudança em direção a um mundo sem regras, onde o direito internacional é pisoteado e onde a única lei que parece importar é a do mais forte, e as ambições imperialistas estão ressurgindo”, disse Macron.
“Diante da brutalização do mundo, a França e a Europa devem defender um multilateralismo eficaz”, afirmou o presidente francês, acrescentando que “isso serve aos nossos interesses e aos de todos aqueles que se recusam a submeter-se ao domínio da força”.








