Trump confirma convite a Lula para Conselho da Paz de Gaza; especialista vê "armadilha diplomática"
Ao SBT News, pesquisador de Harvard afirma que iniciativa pode comprometer a política externa brasileira e servir para legitimar interesses dos EUA

Vicklin Moraes
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou nesta terça-feira (20) que convidou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para integrar o chamado Conselho da Paz de Faixa de Gaza. Segundo Trump, a expectativa é que o líder brasileiro tenha um “papel importante” no grupo.
Em entrevista ao SBT News, o pesquisador da Universidade Harvard e PhD em Política Internacional, Hussein Kalout, avaliou que o convite representa uma armadilha diplomática para o Brasil.
“Trata-se de uma armadilha, e Trump é muito habilidoso em angariar apoio aos seus projetos para costurar um arcabouço de legitimidade e, depois, fazer o que bem entende. No fim, o que prevalece é o interesse dele, e não o do coletivo”, afirmou.
De acordo com Trump, o objetivo do conselho seria supervisionar temporariamente a administração de Gaza e auxiliar na reconstrução do território, devastado após dois anos de ofensivas militares de Israel. A proposta integra o pacote de medidas do plano dos Estados Unidos para encerrar o conflito, em vigor desde outubro.
Pessoas próximas ao presidente Lula, ouvidas pelo SBT News, informaram que o brasileiro só deve decidir a partir da próxima semana se aceita ou não o convite. A avaliação interna é de que ainda faltam informações sobre o escopo real da iniciativa. O convite, que também foi feito a outros líderes globais, chegou à Embaixada do Brasil em Washington na última sexta-feira (16).
Segundo Kalout, a demora na resposta é uma estratégia de prudência diplomática. Para ele, Lula busca entender como recusar a proposta sem comprometer as relações comerciais com os Estados Unidos e, ao mesmo tempo, avaliar as reais intenções por trás da iniciativa.
O pesquisador acrescenta que uma eventual aceitação poderia enfraquecer a posição brasileira no cenário internacional. “O Brasil estaria se diminuindo diante do direito internacional e violando sua doutrina de política externa, historicamente baseada na defesa do multilateralismo. Por isso, a recusa deveria ser categórica”, concluiu.









